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Primárias da esquerda francesa arrancam com debate enfadonho

PHILIPPE WOJAZER / REUTERS

No primeiro debate televisivo das primárias da esquerda francesa, os sete candidatos foram demasiado contidos. Muito divididos, os socialistas permanecem sob a ameaça da eliminação logo na primeira volta das presidenciais da primavera

O primeiro dos três debates das primárias da esquerda francesa, nesta quinta-feira à noite, foi marcado pela vontade dos sete candidatos em não acentuarem a imagem de divisão da esquerda, que pode conduzir os socialistas a uma catástrofe eleitoral nas presidenciais de abril e maio deste ano.

Com efeito, além das divergências entre os sete, a esquerda vai apresentar-se profundamente dividida na corrida para o Eliseu, com mais dois fortes candidatos desta área que não aceitaram disputar as primárias – Jean-Luc Mélenchon (esquerda radical e comunistas) e Emmanuel Macron (social-democrata e ex-ministro da economia do Governo de Manuel Valls).

Afetado pelo desejo de contenção dos concorrentes, o debate foi calmo e pouco empolgante e resultou, por esse motivo, bastante monótono para os telespectadores que o seguiram a partir das 21h (22h em Lisboa). Apesar de tudo, ficou evidente no final que o até há poucas semanas primeiro-ministro Manuel Valls e os seus dois antigos ministros Arnaud Montebourg e Benoît Hamon são os três mais bem colocados para vencerem a votação das primárias do fim deste mês, que serão abertas a todos os eleitores franceses e não apenas aos socialistas.

As próprias sondagens anteriores ao debate colocavam já os três à frente nas intenções de voto para o sufrágio que deverá designar o sucessor de François Hollande, o atual Presidente que renunciou à recandidatura socialista ao Eliseu. Uma sondagem realizada depois do confronto indica que Montebourg foi o mais convincente para o conjunto dos telespectadores e Valls o que melhor soube cativar o eleitorado socialista.

O ex-primeiro-ministro, de origem espanhola e naturalizado francês, defendeu o balanço do seu Governo, cuja política, disse, “começa agora a dar frutos”. “Tenho orgulho por ter servido os franceses num momento difícil”, acrescentou Manuel Valls.

Os restantes candidatos às primárias, Vincent Peillon (socialista), François de Rugy (ecologista), Jean-Luc Bennhamias (centrista) e Sylvie Pinel (do muito moderado Partido Radical de Esquerda), não pareceram em condições de criar uma surpresa na votação que vai designar um “presidenciável” com poucas hipóteses de chegar ao Eliseu.

Com efeito, todas as perspetivas das sondagens colocam os socialistas largamente atrás de François Fillon (direita) e de Marine le Pen (extrema-direita) para as presidenciais. Estes estudos adiantam mesmo que o futuro candidato socialista será batido igualmente por Macron e Mélenchon.

Enfraquecidos pelo contrastado e contestado mandato de François Hollande, todos os sete candidatos chegaram mesmo a criticar frontalmente o atual Presidente pelos chamados “assassínios selecionados” de jiadistas franceses e outros. Lamentaram que Hollande tivesse revelado a existência destas ações ultrassecretas, chamadas “operações homo” (homicídio), a dois jornalistas que as divulgaram no recente e polémico livro “Um Presidente não deveria dizer isto…”.

Estão previstos mais dois debates televisivos antes da primeira volta das primárias, que decorre no próximo dia 22. A segunda volta está marcada para dia 29.