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Internacional

NATO afirma que envio de blindados para a Polónia é resposta “proporcional” à ação russa

ANNA KRASKO / AGENCJA GAZETA VIA REUTERS

Esta quinta-feira, mais de três mil soldados e veículos de combate dos Estados Unidos começaram a chegar à Polónia. O destacamento militar faz parte de uma resposta de Barack Obama aos seus aliados da NATO, que se sentem ameaçados pelas “ações agressivas da Rússia”

A vice-secretária-geral da NATO, Rose Gottemoeller, considerou esta sexta-feira que o envio de uma brigada de blindados norte-americanos para a Polónia e outros aliados da Europa de Leste representa uma resposta "proporcional e calculada" às ações militares da Rússia.

“Através da chamada Operação Atlantic Resolve estão a chegar outra vez blindados norte-americanos à Europa e isto é uma resposta ao que a Rússia tem andado a fazer”, disse a número dois da NATO à agência de notícias BNS.

Milhares de militares norte-americanos, carros de combate e veículos blindados começaram a chegar à Polónia na quinta-feira, no âmbito de uma das maiores mobilizações de tropas dos Estados Unidos na Europa desde a Guerra Fria, uma operação que a Rússia já classificou como uma "ameaça" à sua segurança.

“Quero sublinhar que é proporcional e calculado”, disse Gottemoeller sobre o envio de “3.500 homens, 87 carros de combate e 144 veículos blindados de combate Bradley”. Trata-se de “um passo importante”, mas “visa a defesa e a dissuasão”.

A operação Atlantic Resolve também prevê a colocação de soldados dos Estados Unidos e equipamento pesado em rotação na Estónia, Letónia, Lituânia, Roménia, Bulgária e Hungria (todos parceiros na NATO).

A tensão entre a Rússia e os países ocidentais tem vindo a escalar nos últimos dois anos, a começar com a anexação da Crimeia pela Rússia, em 2014, e aumentando com a campanha militar de Moscovo na Síria, em finais de 2015.

No ano passado, o envio de mísseis Iskander para Kaliningrado (os Iskander têm capacidade de transportar ogivas nucleares), conjugado com os frequentes exercícios militares no Báltico, fizeram subir o nível de alerta da Polónia e da Lituânia. Kaliningrado é um enclave russo entre a Polónia e a Lituânia, com acesso ao Mar Báltico.

Gottemoeller salientou que vê “uma possibilidade legítima de diálogo no futuro” entre a NATO e a Rússia, mas insistiu que a aliança tem de estar de “olhos bem abertos” quanto à necessidade de reduzir os riscos no seu flanco Leste.

“Queremos reduzir os riscos para que não venha a emergir uma crise que, possivelmente, pode escalar para um conflito”, disse a responsável da NATO à margem de uma cimeira informal sobre segurança na Lituânia.

No verão de 2016, os líderes da NATO aprovaram planos para fazer uma rotação de tropas na Polónia e nos países bálticos para dar a garantia de que não seriam deixados ao abandono caso a Rússia se sentisse tentada a repetir a intervenção que fez na Ucrânia em 2014.