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Internacional

Grupo de cientistas consegue desativar “instinto assassino” dentro do cérebro de ratos

PETER PARKS/AFP/Getty Images

Investigadores da universidade de Yale conseguiram localizar e dominar a região do cérebro dos ratos onde os instintos estão localizados e se desencadeia a capacidade para caçar

A história faz lembrar Alex, protagonista do filme “Laranja Mecânica”: um jovem que passa por um tratamento experimental e acaba por ganhar aversão à violência. Mas em vez da administração de drogas, uma equipa de investigadores da universidade de Yale, nos EUA, conseguiu dominar o cérebro de ratos através da técnica de optogenética, que controla os neurónios através de um feixe de luz com comprimentos de onda específicos e permite ativar ou desativar estas células, como se fosse um interruptor.

O estudo, publicado esta quinta-feira na revista “Cell”, contribui para se perceber como funciona o cérebro dos mamíferos na resolução, de forma fácil e automática, de tarefas complexas como a caça. Os investigadores conseguiram identificar as regiões do cérebro nas quais é ativado o instinto para a caça. “Pela primeira vez, descrevemos como se organiza o cérebro dos mamíferos para desenvolver um comportamento de sobrevivência”, explica Ivan de Araujo, autor principal deste trabalho, citado pelo “El Mundo”.

É numa área do cérebro chamada amígdala central, a qual é fundamental para o processamento emocional, que se localiza este “instinto de caçador”. Este instinto divide-se em duas partes distintas: na capacidade de reagir rapidamente ao ver a presa e lançar-se na sua captura e na habilidade para utilizar a mandíbula em coordenação com as garras para desferir a uma mordidela fatal na presa.

Ao ativar o grupo de neurónios da amígdala, os ratos em estudo, mesmo que não tivessem fome, davam início à caça. O facto de nunca terem investido contra outros ratos, permitiu concluir que o instinto de caçador se circunscreve a uma necessidade específica de alimentação, como explicam os autores do estudo, citados pelo “El Mundo”. Ivan Araujo garante que não é gerada nenhuma agressão indiscriminada por parte dos ratos.

Posteriormente, os cientistas desativaram os neurónios que controlam as duas sequências de movimentos. Como resultado, os ratos demoraram muito mais tempo a atacar a presa, ainda que continuavam com força para morder.

Quando os investigadores desativavam os neurónios que controlam os movimentos craniofaciais responsáveis pela mordidela mortal, os ratos apanhavam o inseto com as suas patas mas quando o mordiam, a dentada era 50% mais fraca. Dessa forma, conseguiram incapacitar os ratos de matar as suas presas.

O próximo objetivo de Araujo já está definido: entender melhor como se transmitem as percepções sensoriais (por exemplo, a visão ou o odor da presa), que fazem os neurónios do instinto para a caça se ativem.