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Rússia terá mais do que uma gravação comprometedora de cariz sexual contra Trump

DON EMMERT / AFP / Getty Images

Informação foi avançada por um jornalista da BBC a quem a CIA confirmou que as alegações são “credíveis” e oriundas de mais do que uma fonte – após a CNN e o BuzzFeed terem denunciado a existência de um dossiê Trump compilado por um ex-espião britânico, contratado por republicanos que se opunham à candidatura presidencial do empresário e, mais tarde, por democratas que apoiavam Hillary Clinton

A CIA acredita que o governo russo tem em sua posse mais do que uma gravação comprometedora de natureza sexual a envolver o Presidente eleito dos EUA Donald Trump. A informação está a ser avançada por um jornalista da BBC que contactou a secreta norte-americana sobre as alegações do dossiê Trump, cuja existência foi tornada pública pela CNN e o site BuzzFeed na terça-feira à noite, e onde é denunciado que Moscovo não só tem estado a preparar Trump para o ajudar a chegar à Casa Branca como também que o FSB (ex-KGB) está "há vários anos" a reunir informação comprometedora sobre o empresário para o controlar e chantagear.

Paul Wood diz ter recebido esta quarta-feira uma mensagem da CIA onde a agência refere que tem mais do que uma fonte a confirmar a veracidade das alegações, fontes essas que considera "credíveis". "Há supostamente mais do que uma gravação, não apenas vídeo mas áudio, em mais do que uma data, e não apenas em Moscovo mas também em São Petersburgo", avançou numa emissão em direto a partir de Washington, citada pelo "The Independent".

De acordo com as 35 páginas de briefing confidencial que a CIA, o FBI e a NSA decidiram apresentar ao Presidente eleito e a Barack Obama na semana passada, e que o BuzzFeed tornou públicas há dois dias, durante uma viagem a Moscovo em 2013 Trump terá contratado prostitutas para que fizessem um golden shower (urinar durante o ato sexual) na cama da suite presidencial do Ritz Carlton onde Barack e Michelle Obama tinham ficado instalados alguns meses antes.

Tanto a CNN como o BuzzFeed sublinharam na terça-feira que as alegações contidas no dossiê Trump ainda não foram substanciadas, mas referem que a comunidade de serviços de informação já confirmou que a fonte desses documentos é "fidedigna". Esta quarta-feira à noite, o "Wall Street Journal" noticiou que o responsável pela compilação destes dados é Christopher Steele, um ex-espião do MI6 que criou uma empresa de investigação privada, a Orbis Business Intelligence Ltd., quando se reformou da agência secreta britânica.

Até agora, nem esse nem outros jornais conseguiram entrar em contacto com Steele; um seu sócio na Orbis, Christopher Burrows, disse ao "WSJ" que "não confirma nem desmente" a alegada autoria do dossiê. A CNN cita fontes a dizerem que os documentos estão a circular há vários meses entre as redações americanas, Congresso e Casa Branca e que os dados foram recolhidos por um ex-espião britânico – primeiro a contrato com republicanos que se opunham à candidatura de Trump e, mais tarde, contratado pelos democratas.

Wood diz que pediu informações à CIA sobre as alegações feitas no dossiê ainda antes de a CNN e o BuzzFeed decidirem tornar pública a existência desse material por corroborar. "Enviei uma mensagem à CIA no início de novembro [as eleições presidenciais foram a 8 desse mês] a fazer perguntas. Era ilegal qualquer funcionário da agência falar comigo mas recebi uma mensagem através de um intermediário onde é dito que as alegações são tidas como credíveis. Mais do que isso, é dito que há mais do que uma única fonte, para além do homem do MI6."

Antes de fundar e dirigir a Orbis Business Intelligence Ltd., Steele, que o "Wall Street Journal" aponta como sendo "o homem do MI6" em questão, esteve vários anos a trabalhar sob disfarce para a secreta britânica na Rússia, em Paris e em Londres, avançam esta quinta-feira à Reuters fontes dos serviços de informação do Reino Unido. As mesmas fontes dizem que, quando deixou a agência secreta, Steele, 52 anos, passou a fornecer informações ao FBI sobre casos de corrupção na FIFA.

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