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Identificado ex-agente secreto britânico que compilou o dossiê Trump

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O “Wall Street Journal” avança que já conhecia a identidade do ex-espião do MI6 há algumas semanas e que o seu sócio na Orbis Business Intelligence Ltd. “não confirma nem desmente” que a empresa de investigação privada tenha produzido o explosivo relatório sobre informação comprometedora que a Rússia reuniu contra o Presidente eleito dos EUA

Steele, Christopher Steele. É este o nome do ex-agente do MI6, uma das agências de informação do Reino Unido, que a título privado terá passado meses a recolher informações junto de fontes russas sobre a estratégia do Governo de Vladimir Putin para apoiar e controlar a candidatura de Donald J. Trump à presidência norte-americana.

A notícia foi avançada pelo “Wall Street Journal” (WSJ) na quarta-feira à noite, horas depois de a CNN ter noticiado em primeira mão a existência de um dossiê sobre informações comprometedoras que Moscovo tem estado a reunir há vários anos sobre o agora Presidente eleito dos EUA, dossiê esse que as secretas norte-americanas decidiram apresentar ao Presidente eleito e a Barack Obama na semana passada.

O WSJ diz ter apurado que as alegações e suspeitas, cuja veracidade ainda não foi confirmada, foram recolhidas por Christopher Steele, de 52 anos, um ex-espião britânico que, quando se reformou do MI6, criou a Orbis Business Intelligence Ltd., uma empresa de segurança e investigação privada com sede em Londres. Ontem, a CNN citou “várias” fontes familiarizadas com o assunto a dizerem que o FBI, a CIA e a NSA concluíram que a fonte do documento é fidedigna, mas que por não ter ainda consubstanciado as informações nele contidas não ia, para já, noticiar o conteúdo do dossiê.

O BuzzFeed foi mais além e decidiu publicar as 35 páginas completas que os quatro chefes máximos da comunidade de serviços de informação entregaram a Obama e a Trump e que já estariam a circular entre as redações norte-americanas, bem como nos corredores do Congresso e da Casa Branca, há vários meses.

O WSJ parece já conhecer a identidade de Steele há algum tempo. No artigo publicado ontem, refere que as tentativas de entrar em contacto com o ex-espião “nas últimas semanas” têm falhado porque, segundo um intermediário em declarações anónimas ao jornal, o tópico era “demasiado quente”.

Trump compara EUA com Alemanha de Hitler

No site da Orbis é explicado que a rede global de associados da empresa “é composta por especialistas regionais, industriais e académicos, bem como por figuras proeminentes do setor empresarial” e que o trabalho desenvolvido a partir da experiência e conhecimentos desta “rede fechada de contactos” passa por “ajudar os clientes a enquadrar decisões de negócios, a proteger as reputações dos clientes e a ajudar a resolver problemas complexos que as empresas enfrentam a nível mundial”.

Apesar das tentativas falhadas para chegar à fala com Steele, o WSJ conseguiu entrar em contacto com Christopher Burrows, sócio deste na Orbis Business Intelligence Ltd., que declarou apenas que “não confirma nem desmente” a alegada autoria do dossiê Trump.

Ontem, na sua primeira conferência de imprensa desde julho, quando conseguiu a nomeação do Partido Republicano para disputar a Casa Branca com a democrata Hillary Clinton, Trump recusou-se a responder a perguntas da CNN, que acusou de disseminar “notícias falsas”, e voltou aos ataques às secretas dos EUA por terem vazado o dossiê para os jornalistas.

“É vergonhoso que as agências de informação tenham permitido que qualquer informação que é tão falsa e fabricada tenha sido tornada pública. Isso é algo que a Alemanha nazi teria feito e vocês fizeram-no também. Esta informação é falsa e fabricada.” A declaração seguiu-se a um tweet que o Presidente eleito publicou antes da conferência, onde já comparava a situação nos EUA à Alemanha de Adolf Hitler.

James Clapper, diretor dos serviços de informação americanos e um dos quatro homens fortes das secretas que apresentaram o dossiê a Trump e a Obama, reagiu pouco depois, dizendo que na altura explicou ao Presidente eleito que nenhuma das agências foi responsável pelo vazamento dos documentos para os media e para os legisladores americanos.

Na reunião com o Presidente eleito, disse o chefe das secretas em comunicado, “expressei a minha profunda consternação pelas fugas de informação que têm aparecido na imprensa e ambos [Clapper e Trump] concordámos que era [um dossiê] extremamente corrosivo e prejudicial para a nossa segurança nacional. Sublinho que este documento não é um produto da comunidade de serviços de informação dos EUA e que não acredito que esta fuga tenha vindo de dentro [da comunidade]”.