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Internacional

Cedência da Turquia poderá permitir acordo de paz entre cipriotas gregos e turcos

REUTERS

A conferência internacional, que procura superar o conflito que se arrasta há 40 anos na ilha de Chipre, arrancou esta quinta-feira em Genebra com a presença do secretário-geral da ONU, António Guterres

Algum otimismo e expetativa rodeiam a conferência para a reunificação de Chipre, que arrancou esta quinta-feira em Genebra, um dia depois de os líderes cipriotas turcos e gregos terem trocado mapas com propostas sobre fronteiras territoriais na ilha, um passo inédito que surge como um bom precedente para o estabelecimento de um acordo para pôr fim ao conflito que se arrasta há 40 anos.

O encontro é impulsionado pelas Nações Unidas, contando com a presença dos ministros dos Negócios Estrangeiros da Grécia, Turquia e Grã-Bretanha que se reúnem já esta quinta-feira.

O primeiro-ministro turco também vai participar na conferência. Uma eventual cedência da Turquia, que mantém trinta mil militares no norte da ilha, é apontada como um passo determinante para o desbloqueio das divergências, abrindo caminho para que a ilha possa vir a ser declarada como um Estado federal de duas zonas e duas comunidades, com dois Estados constituintes.

“A conferência vai durar o tempo que for necessário”, esclareceu na quarta-feira a porta-voz da ONU em Genebra, Alessandra Vellucci.

Desde 2015 que a ONU tem desenvolvido esforços para a realização de conversações de paz diretas e o encontro arrancou com uma intervenção do secretário-geral António Guterres.

Turcos a norte, gregos a sul

A divisão entre os cipriotas gregos e turcos ocorreu na sequência do conflito armado de 1974. Naquela altura, tropas turcas invadiram a ilha, logo após um golpe levado a cabo por gregos cipriotas apoiados por generais que, à época, governavam a Grécia.

Os cipriotas turcos ficaram a dominar a parte norte e os cipriotas gregos o sul. A ONU calcula que 165 mil cipriotas gregos tiveram de abandonar o norte e 45 mil cipriotas turcos o sul, mas as duas partes em conflito dizem que os números são superiores.

Atualmente existem cerca de 800 mil cipriotas gregos e 220 mil cipriotas turcos na ilha.

Para uma eventual cedência da Turquia, deverão ter de ser apresentadas garantias de que os direitos dos cipriotas turcos serão respeitados. A área norte, que corresponde a cerca de um terço do território, é apenas reconhecida pela Turquia, enquanto o Chipre grego, a sul, está integrado na União Europeia.

A Grã-Bretanha, antiga potencial colonial, admitiu por seu turno abandonar cerca de 50% do território que ainda controla na ilha, onde possui bases aéreas que têm sido usadas nos ataques contra o autodenominado Estado Islâmico (Daesh) no Iraque.

Grã-Bretanha, Grécia e Turquia têm-se apresentado como os garantes da independência da ilha.

Mesmo que seja alcançado um acordo deverá ainda ser necessário que ambas as comunidades se manifestem em referendos para que o Chipre possa vir a tornar-se num Estado federal de duas zonas e duas comunidades, com dois Estados constituintes.