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Internacional

Aquecimento global faz desaparecer 75% do maior recife do Japão

ROMEO GACAD/AFP/Getty Images

Três quartos dos corais do maior recife do Japão, na lagoa Sekisei, desapareceram. Com a sua morte, milhares de espécies marinhas estão ameaçadas

Um estudo, divulgado esta quinta-feira pelo jornal “The Guardian”, alerta para a morte de cerca de 75 por cento dos corais do recife da lagoa Sekisei, em Okinawa, província de uma das ilhas do arquipélago Ryukyu, a sul do Japão.

O documento explica que o aquecimento global fez aumentar a temperatura do mar, o que levou os corais a expelir as algas que vivem nos seus tecidos, tornando-os totalmente brancos.

Se as temperaturas se mantiverem altas e não voltarem aos seus valores normais, todos os corais acabarão por morrer devido à falta de nutrição. Segundo a Agência Metereológica do Japão, a temperatura da superfície da água do mar marcava, entre junho e agosto do ano passado, 30,1 graus centígrados, dois graus acima do normal, ou seja, o recorde da mais alta temperatura da superfície do mar desde 1982.

Já em setembro de 2016, a fotógrafa subaquática Stephanie Roach disse que o manto branco se começava a espalhar nas áreas pouco profundas, mais precisamente a dois metros de profundidade. A fotógrafa contou que essa zona de corais ramificados estava totalmente branca, e que o “branqueamento” dos corais se tornava cada vez mais esporádico e menos visível a uma maior profundidade.

Com a morte dos corais, todo o ecossistema marinho da zona começa a sofrer. Roach adiantou que, entre os corais mais afetados, havia poucos peixes e os que lá habitavam eram herbívoros, alimentando-se das algas que cresciam nos corais mortos.

Segundo o Ministério do Ambiente japonês, o estado do recife tem-se tornado um assunto “extremamente preocupante” nos últimos anos.

O fenómeno começou em 2014, à medida que a água quente se espalhava pelo Oceano Pacífico, e piorou com a tempestade El Niño em 2016.

Os especialistas acreditam que a mancha branca já se terá espalhado por cerca de 400 quilómetros quadrados, o correspondente a 90 por cento do recife de corais.

Um outro estudo conduzido entre setembro e outubro do ano passado relatou que 56 por cento do recife tinha morrido, indicando que o fenómeno se está a espalhar rapidamente e a adquirir grandes proporções.