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Trump responsabiliza Moscovo no caso de espionagem

JUSTIN LANE/EPA

Na primeira conferência de imprensa de Donald Trump em cinco meses, o Presidente eleito dos EUA apontou o dedo à Rússia no caso da espionagem informática e garante que manter uma boa relação com a Rússia será uma vantagem. “Se Obama não gosta da Rússia não acho isso um trunfo, mas uma fraqueza. Se Putin gosta de Trump não acho isso uma desvantagem, mas uma vantagem”

Foi num tom entusiástico que Donald Trump começou esta quarta-feira a sua primeira conferência de imprensa em quase seis meses. Na intervenção inicial, o Presidente eleito dos EUA reafirmou que irá liderar uma das maiores administrações do país e sublinhou que já está a trabalhar com a sua equipa no projeto económico.

“Eu serei o maior produtor de postos de trabalho que Deus criou. Estou a falar a sério. Temos aqui um movimento que o mundo nunca viu antes, um movimento que muita gente não esperava”, disse Trump aos jornalistas.

Como exemplo, lembrou que várias marcas de automóveis vão voltar a produzir nos Estados Unidos, como a Fiat Chrysler e a Ford. Disse também esperar que a indústria farmacêutica siga o mesmo caminho, anunciando novos procedimentos para os concursos públicos.

Respondendo às primeiras questões dos jornalistas, Trump apontou o dedo à Rússia no caso da espionagem informática, que teve como alvo Hillary Clinton, e defendeu que manter uma boa relação com a Rússia será uma vantagem para o país. “O hacking pode ter tido origem russa, mas também houve hacking por parte de outros países. Provavelmente a China é também responsável, houve imenso hacking. O Comité Nacional Democrata estava completamente aberto ”

“Se Obama não gosta da Rússia não acho isso um trunfo, mas uma fraqueza. Se Putin gosta de Trump não acho isso uma desvantagem, mas uma vantagem”, acrescentou.

Trump assegurou que não tem qualquer negócio pendente, empréstimo ou dívida com a Rússia e que “todos os países irão respeitar mais os EUA do que nas administrações anteriores.”

Para falar dos negócios, Trump passou a palavra à advogada Sheri Dillon, que garantiu que não haverá qualquer conflito de interesses, uma vez que o Presidente eleito dos EUA cedeu a gestão das suas empresas aos filhos Don Jr. e Eric. “Ele incumbiu-me a mim e aos meus colegas de arquitetar uma estrutura que o isolará completamente da gestão do seu grupo empresarial. A questão do conflito de interesses nãos e coloca de todo ao Presidente e ao vice-presidente”, rematou.

De ‘regresso’ para responder a nova ronda de questões, Trump foi demolidor quanto ao Obamacare. “Foi um desastre completo e total”, disse, para garantir que “o mais fácil seria ficar sentado a observar e deixar o sistema implodir em 2017”. “Mas não seria justo para as pessoas”, acrescentou. Assim, o novo Presidente afirma que o Obamacare vai ser “anulado e substituído”, por um novo sistema, “melhor e mais barato”.

Num momento de maior tensão, Donald Trump acusou alguns meios de comunicação social de serem feitos por “pessoas muito desonestas” e recusou responder ao jornalista da CNN, um dos orgãos que na terça-feira publicou notícias citando um relatório dos serviços de informações dos EUA, segundo o qual a Rússia tem informação comprometedora suficiente para “chantagear” Trump.

Depois de afirmar que os ataques de hackers contra os Estados Unidos partem de todos os lados - “Rússia, China...” - o novo Presidente norte-americano afirmou que vai dar 90 dias aos serviços secretos para produzirem um novo relatório sobre as suspeitas de espionagem informática. A Rússia poderá estar por trás dessas ações, voltou a admitir, não sem acrescentar que “também pode ter sido outro país”.

Promessa recorrente durante a campanha, Donald Trump voltou a garantir que o muro de separação entre os EUA e o México vai mesmo ser construído. “E o México vai pagar. Seja através de um imposto ou como pagamento, não sei. Mas vai acontecer”.

(Em atualização)