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Rússia nega ter informações comprometedoras sobre Trump. “É um bluff total”

Dmitry Peskov, porta-voz de Vladimir Putin

VASILY MAXIMOV/GETTY IMAGES

Presidente eleito dos EUA ainda não reagiu oficialmente às alegações contidas no dossiê que os seviços de informação lhe apresentaram há uma semana, bem como a Barack Obama, onde é alegado que esteve envolvido em “atos sexuais perversos” –uma das informações que Moscovo estará a usar para o controlar – e que a sua equipa esteve em contacto com intermediários do governo russo ao longo da campanha presidencial

O governo de Vladimir Putin reagiu esta quarta-feira às alegações de que tem em sua posse informações embaraçosas sobre Donald Trump, garantindo que esse não é o caso e acusa os media norte-americanos de "fabricarem" as denúncias com o objetivo de danificar as relações de Moscovo com Washington a apenas nove dias da tomada de posse de Trump.

O Kremlin garante que não tem qualquer "informação comprometedora" sobre Trump nem sobre a sua rival democrata nas eleições de 2016, Hillary Clinton, dizendo que os alegados memorandos entregues às chefias dos serviços de informação norte-americanos por John McCain e apresentados, por estas, a Obama e Trump na semana passada são um "bluff total". Numa conferência de imprensa em Moscovo, esta manhã, o porta-voz de Vladimir Putin, Dmitry Peskov, sublinhou: "Este relatório não corresponde à realidade e não passa de absoluta ficção. É um bluff total, uma absoluta fabricação, um disparate completo."

Peskov é citado nos documentos em questão, onde é alegado que, sob ordens diretas de Vladimir Putin, tem em sua posse e sem partilhar com mais ninguém uma pasta com informações sobre Hillary Clinton obtidas por espiões russos durante viagens oficiais da rival de Trump à Rússia.

Questionado sobre se as alegações relacionadas com Clinton são verdadeiras, Peskov voltou a desmentir. "Claro que não. O Kremlin não recolhe informações comprometedoras. O Kremlin e o Presidente russo estão investidos em construir relações com os nossos parceiros estrangeiros, em primeiro lugar para proteger os interesses da Federação Russa e do povo russo, e em segundo os interesses da paz, estabilidade e segurança globais."

De uma forma geral, em causa está um conjunto de documentos sobre contactos diretos e recorrentes entre a equipa de Trump e intermediários do governo russo ainda durante a campanha eleitoral, que vem reforçar a crença das agências de informação americanas de que Putin tentou influenciar o resultado das eleições – uma acusação já feita pela atual administração e vários legisladores americanos, com base em provas recolhidas sobre as ligações de autoridades russas aos ciberataques executados contra o Partido Democrata.

O dossiê onde é alegado que Trump e Moscovo estão em contacto há pelo menos cinco anos não faz parte do outro relatório que as secretas apresentaram a Barack Obama e a Donald Trump, há alguns dias, sobre a ingerência russa nas eleições através de ciberataques ao Partido Democrata e ao email de John Podesta. Tem por base informações de fontes russas e também de um ex-agente britânico do MI6, cujo currículo e atividades foram considerados legítimos pelos serviços de informação dos EUA. No dossiê é ainda denunciada a alegada estratégia russa de recolher informações embaraçosas e potencialmente fatais, num sentido político, sobre Trump, para poder chantageá-lo e manipulá-lo.

Os papéis foram entregues ao Presidente eleito e ao Presidente em funções pelos quatro chefes máximos das secretas há uma semana, acompanhados de uma sinopse de duas páginas que o BuzzFeed decidiu entretanto publicar. Segundo a CNN, que foi a primeira a avançar a notícia em exclusivo, todos estes dados, datados de junho a outubro de 2016, foram compilados pelo ex-agente do MI6 a troco de dinheiro, primeiro contratado por republicanos que se opunham à candidatura de Trump, e, mais tarde, pelos democratas.

No sumário do dossiê é denunciado que Trump esteve envolvido em "atos sexuais perversos" numa viagem a Moscovo, em que contratou prostitutas e lhes ordenou que fizessem um golden shower (urinar) na mesma cama da suite presidencial do Ritz Carlton onde Barack e Michelle Obama tinham ficado meses antes.

Até agora, nem a equipa de transição de Trump nem o próprio Presidente eleito reagiram oficialmente às alegações. Ao site Mic, o advogado do empresário tornado político, Michael Cohen, desmentiu categoricamente a veracidade das informações. "É ridículo em tantos níveis. A pessoa que criou isto claramente fê-lo com a sua imaginação na esperança de que os media liberais noticiassem esta informação falsa sob qualquer argumento que possam ter."

Contactada repetidamente pelo BuzzFeed, CNN, "The Guardian" e outros jornais, a equipa do Presidente eleito recusou-se a comentar as notícias. Trump, por sua vez, recorreu ao Twitter como é costume para denunciar a "caça às bruxas política" de que está a ser vítima.

Para esta quarta-feira o futuro líder dos EUA tem marcada uma conferência de imprensa que deveria ter acontecido em dezembro, mas que Trump adiou para este 11 de janeiro – será a sua primeira conferência com jornalistas desde que conseguiu a nomeação republicana em julho para disputar as presidenciais.

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    Há uma semana, as agências secretas dos EUA apresentaram a Barack Obama e a Donald Trump uma sinopse de um dossiê onde é alegado que Vladimir Putin tem estado a reunir “podres” sobre o Presidente eleito para o chantagear, ao mesmo tempo que se manteve em contacto com a equipa do americano durante a campanha para o ajudar a ganhar as eleições. Os serviços de informação ainda não apuraram a veracidade de algumas das alegações, mas garantem que a fonte é fidedigna