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Internacional

Dois irmãos presos por piratearem contas de email de Draghi, Renzi e Monti

Franco Origlia/GETTY

Os dois irmãos atacaram várias contas de email com malware para recolher informações de forma ilegal. Segundo a Reuters, a investigação revelou que cerca de 18 mil contas podem ter sido pirateadas e duas mil palavras-passes descobertas

Dois cidadãos italianos foram presos esta terça-feira em Roma, suspeitos de terem pirateado milhares de contas de email e recolhido ilegalmente palavras-passe com a ajuda de software malicioso. Entre as vítimas do ataque informático estão o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, e dois ex-primeiros-ministros, Matteo Renzi e Mario Monti.

“Havia dezenas de milhares de contas de email pirateadas, e entre elas estavam contas que pertenciam a banqueiros, homens de negócios e até alguns cardeais do Vaticano”, disse Roberto Di Legami, diretor da polícia italiana especializada em cibercrime que conduziu a investigação, citado pela Reuters.

Os dois irmãos detidos, Giulio Occhionero, engenheiro nuclear de 45 anos, e a sua irmã Francesca Maria Occhionero, de 48 anos são acusados de colocar software malicioso nos emails e, dessa forma, conseguiram recolher informações “sensíveis” durante anos, escreve a BBC. Contudo, não se sabe ainda qual a finalidade da informação recolhida.

De acordo com o “Politico”, os dois indivíduos criaram um “centro de ciberespionagem para monitorizar instituições, governos, empresas profissionais e empresários”, tendo recolhido de forma ilegal “informação que dizia respeito à segurança estatal”.

A informação roubada foi guardada em servidores em Prior Lake, no Minnesota e em Salt Lake City, no Utah, nos Estados Unidos da América, escreve a Reuters, citando o documento do tribunal. O FBI apreendeu os servidores em questão e vai enviá-los para a Itália para serem analisados, referiu Di Legami.

Apesar de a maior parte do conteúdo pirateado ter focado as contas de email, há provas de que Occhionero instalou um keylogger, programa de computador com a funcionalidade de registar todos os movimentos do teclado.

A investigação começou quando um email com conteúdo malicioso foi detetado em abril de 2016, apesar de haver provas de que os dois indivíduos têm usado malware para espiar desde 2010.

Um porta-voz do Banco Central Europeu, em declarações ao “Politico”, referiu que “até agora não há nenhuma indicação de que houve uma invasão com sucesso a uma conta do banco”.