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Comissão Europeia: combate às notícias falsas não passará por Ministérios da Verdade

YVES HERMAN/REUTERS

Comissão Europeia pretende gastar mais 1,8 mil milhões de euros na investigação para a cibersegurança, referiu o vice-presidente Andrus Ansip, que considerou que a solução para o problema complexo das falsas notícias deverá passar pela autorregulação

“As notícias falsas são uma coisa má, mas no meu entendimento o Ministério da Verdade também é mau, de modo que essa não será a solução”, afirmou o vice-presidente da Comissão Europeia, Andrus Ansip.

O ex-primeiro-ministro estónio, responsável pelo mercado digital único, aludiu ao cenário de um futuro dominado por um regime totalitarista com um controle de informação extremo, apresentado na obra “1984” de George Orwell, para frisar que não será esse o caminho a seguir. Ansip disse que não há “soluções fáceis” para um problema complexo que, no seu entender, deve ser tratado através de “medidas de autorregulação”.

“Vivemos ambos durante muito tempo sob as ditaduras de Ministérios da Verdade. É por isso que penso que somos ambos muito sensíveis a isso. Nós gostaríamos de ver os Estados-membros a tomarem medidas boas e responsáveis nesta matéria”, complementou a comissária checa para a Justiça, Consumidores e Igualdade de Género, Vera Jourova.

O vice-presidente da Comissão Europeia aludiu ao modo como a Estónia conseguiu travar o ciberataque de que foram alvo, quando em 2007 removeram um monumento soviético de Tallinn, como um exemplo a seguir. Através da “cooperação entre diferentes serviços e equipas de resposta informática… nós conseguimos travar (a) maioria desses ataques antes mesmo de eles terem atravessado as nossas fronteiras”. Ao mesmo tempo, realçou que “nenhum Estado-membro, grande ou pequeno, será capaz de lidar com as questões da cibersegurança sozinho”.

Ansip declarou que a comissão gostaria de investir mais 1,8 mil milhões de euros na investigação para cibersegurança, considerando que os Estados da União Europeia deveriam gastar mais dinheiro dos seus orçamentos militares nesta área, referindo que atualmente apenas 20% da verba existente provém daí, enquanto nos Estados Unidos são cerca de 80%.

As recentes revelações sobre ciberpiratas russos que colocaram em linha informações denegrindo a campanha de Hillary Clinton e abstiveram-se de divulgar as que possuíam contra o Presidente eleito Donald Trump aumentam os receios de que levem a cabo ações similares na Europa durante as eleições que vão ter este ano lugar na Holanda, França, Alemanha e Suécia.