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Sigmar Gabriel candidata-se contra Merkel nas eleições federais

Adam Berry/GETTY

Notícia está a ser avançada pelo tabloide “Bild” e foi confirmada por fontes do Partido Social Democrata alemão à Reuters. Porta-voz do secretário-geral do SPD, que integra a atual coligação de governo liderada pela União Democrata Cristã da chanceler Merkel, remete para 29 de janeiro o anúncio formal do candidato

O secretário-geral do Partido Social-Democrata alemão (SPD) Sigmar Gabriel decidiu candidatar-se contra a conservadora Angela Merkel nas eleições federais deste ano, que terão lugar entre agosto e outubro. Assim avança esta terça-feira o tabloide "Bild", uma informação que a agência Reuters já tinha apurado junto de fontes do partido há uma semana, que dizem que, dentro do SPD, não existe uma alternativa realista ao homem que desempenha os cargos de vice-chanceler e ministro da Economia na coligação liderada pela União Democrata Cristã (CDU) de Merkel, no poder há quatro anos.

Um porta-voz de Gabriel não confirmou nem desmentiu a notícia, dizendo apenas que o partido minoritário da coligação vai manter o calendário previsto e anunciar o seu candidato à chancelaria apenas no final do mês. "O SPD vai decidir sobre o seu candidato a 29 de janeiro", disse citado pela mesma agência. Altos cargos do partido estarão reunidos esta terça-feira à porta fechada para delinear a sua estratégia eleitoral, mas de acordo com o "Bild" o nome do candidato não será um dos temas em discussão.

O jornal alemão aponta que o último chanceler vindo do SPD, Gerhard Schroeder, foi um dos grandes impulsionadores da alegada candidatura de Sigmar Gabriel. "Tens de deixar claro que queres realmente isso", terá dito Schroeder ao aliado. "Caso contrário, estou preparado para me candidatar outra vez."

A questão sobre se será mesmo Gabriel a concorrer à chancelaria pelo SPD não tem tanto a ver com a sua vontade – ainda este fim de semana, numa entrevista à revista "Der Spiegel", renovou ataques à parceira de coligação, acusando-a de ameaçar a coesão na União Europeia por defender políticas de austeridade. A questão tem mais a ver com o facto de o partido preferir ter no boletim de voto o nome de Martin Schulz, o homem que acabou de se despedir da presidência do Parlamento Europeu e de uma longa carreira como eurodeputado para se dedicar ao ano eleitoral que agora começou.

A Reuters indica que as probabilidades de isso acontecer são reduzidas, perante rumores de que Schulz está no topo da lista para substituir Frank-Walter Steinmeier à frente do Ministério dos Negócios Estrangeiros, agora que os partidos da coligação decidiram nomear Steinmeier para substituir Joachim Gauck como Presidente da Alemanha, uma mudança que acontece já no próximo mês.

Sondagens recentes indicam que Gabriel, um ex-professor de 57 anos, é ultrapassado em popularidade pela atual chanceler. Apesar disso, dentro do SPD angaria mais apoios do que os anteriores secretários-gerais. Este ano, os sociais-democratas têm pretensões de angariar votos suficientes para formar uma coligação com os Verdes e possivelmente com o partido mais à esquerda do espectro político alemão, mas os analistas antecipam que a "grande coligação" atualmente no poder é o melhor resultado que o SPD pode almejar perante os apoios populares a Merkel, que deverá ser eleita para um quarto mandato consecutivo.

Uma sondagem do INSA publicada esta terça-feira pelo "Bild" mostra que os conservadores ao leme de Merkel angariam 32% das intenções de voto, o mesmo valor registado há uma semana, e que o SPD também se mantém nos 21% como há sete dias. O total antecipado de votos combinados do SPD, Verdes e Esquerda é de 41% comparado com os 53% de uma "grande coligação" CDU-SPD renovada. O mesmo inquérito de opinião dá 15% das intenções ao Alternativa para a Alemanha (AfD, extrema-direita).