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Internacional

Alemanha vai investigar difusão “sem precedentes” de notícias falsas

Sean Gallup

Perante suspeitas de que a Rússia vai tentar influenciar o resultado das eleições federais deste ano

O Ministério do Interior alemão abriu uma investigação à proliferação "sem precedentes" de notícias falsas na internet perante suspeitas de que a Rússia está investida em tentar influenciar as eleições federais que vão ter lugar este ano na Alemanha, em data ainda a definir.

Em dezembro, a agência de proteção da Constituição (BfV) confirmou que um ciberataque contra a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) usou a mesma "infraestrutura de ataque" que um outro executado contra o parlamento alemão (Bundestag) em 2015 e que foi atribuído ao grupo de hacking russo APT28.

A OSCE, que integra 57 nações-membros, entre elas a Rússia e os Estados Unidos, já confirmou que foi alvo de um ciberataque no final de 2016, mas escusou-se a comentar a notícia avançada pelo jornal francês "Le Monde" que aponta culpas ao APT28.

A BfV diz ter apurado que houve um "enorme uso de recursos financeiros" e a aplicação de ferramentas de propaganda russas na disseminação de campanhas de contrainformação com o objetivo de destabilizar a chancelaria alemã de Angela Merkel.

A Rússia, que também é acusada de ingerência nas eleições norte-americanas para influenciar o resultado das presidenciais a favor de Donald Trump, continua a negar qualquer envolvimento na ciberguerra que tem tido como alvos governos e instituições ocidentais.

Ontem, segunda-feira, o Kremlin condenou o relatório das secretas norte-americanas onde é responsabilizado por influenciar as presidenciais a favor de Trump, garantindo que não existem quaisquer provas de que as autoridades russas tenham estado envolvidas no acesso ilegal a emails e sistemas informáticos do Partido Democrata. A proliferação de informação falsa na internet é apontada como uma das razões que levaram Trump a derrotar Hillary Clinton em novembro.

À Reuters, o porta-voz do Governo alemão, Steffen Seibert, disse ontem que as autoridades do país vão usar todos os meios possíveis para investigar a disseminação de um número "sem precedentes" de notícias falsas online para contrariar a alegada ingerência russa no seu processo eleitoral, num ano em que Angela Merkel quer tentar ser reeleita para um quarto mandato. "Estamos a lidar com um fenómeno de uma dimensão que nunca vimos antes", declarou.

"Levamos muito a sério estes incidentes relacionados com possíveis ataques cibernéticos contra a OSCE e também levamos muito a sério outros casos", acrescentou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão, Martin Schaefer, citado pela mesma agência. "É óbvio que tudo deve ser feito para prevenir e impedir tais incidentes tanto quanto possível na nossa esfera e no nosso domínio."

Fontes do Governo alemão dizem que Berlim está a analisar a possibilidade de abrir um novo ramo na chancelaria ligado ao gabinete de imprensa que será responsável por avaliar e dar respostas à disseminação de notícias falsas — um passo semelhante ao que foi anunciado pelas autoridades da República Checa há um mês. Outras fontes familiarizadas com o plano alemão dizem que esses esforços ainda se encontram numa fase inicial e que, por isso, ainda não resultaram em quaisquer decisões ou passos concretos.