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Equipa de Trump reconhece mas desvaloriza ataques de ‘hacking’ da Rússia

AFP/GETTY IMAGES

Os russos podem ter roubado e divulgado emails da campanha de Hillary Clinton, mas esse tipo de prática não é nova, ocorrendo “em todos os períodos eleitorais”, comenta o chefe de equipa de Donald Trump em reação ao relatório das forças de segurança norte-americanas

A equipa do Presidente eleito Donald Trump acabou por aceitar que a Rússia tenha roubado e divulgado emails da campanha de Hillary Clinton, conforme concluiu a investigação do FBI, CIA e NSA, cujo relatório foi divulgado na passada sexta-feira, mas apesar disso desvaloriza a importância da campanha de ciberataques levadas a cabo contra a sua opositora durante as eleições presidenciais.

“Ele (Donald Trump) aceita o facto que neste caso particular foram entidades da Rússia, isso não é uma questão”, afirmou Reince Priebus, em declarações à Fox News este domingo.

O chefe da equipa de Trump não esclareceu contudo se o Presidente eleito admite que tenha sido o próprio Presidente russo a estar por trás dos ataques, e ao mesmo tempo considerou tratar-se de algo que esteve longe de ser inédito. “Isto começou por parte dos russos há 50 anos, dizendo de outra forma, isto é algo que tem tido lugar nas nossas eleições há muitos, muitos anos (…) Acontece em todos os períodos de eleição”, afirmou Priebus.

A conselheira de Trump, Kellyanne Conway, também efetuou declarações à CNN desvalorizando as conclusões do relatório: “Rússia, China e outros têm tentado atacar diferentes instituições governamentais e empresas e indivíduos e organizações de tempos a tempos”.

A conselheira acrescentou que o diretor da serviços nacionais de informação James Clapper testemunhara perante o Congresso que “qualquer aspiração a influenciar as nossas eleições falhou”, algo que não corresponde à realidade. Os responsáveis dos serviços de informação apenas indicaram não haver provas de que os hackers tenham conseguido atingir as máquinas de voto, mas Clapper frisara, na quinta-feira perante o Congresso, que não tinham aferido o impacto que os emails roubados e divulgados terão tido no votos dos eleitores.

Conway procurou também desvalorizar a importância da divulgação dos emails de Hillary Clinton, afirmando: “Nós não precisávamos da WikiLeaks para convencer o povo americano de que eles não gostam dela, que não confiam nela, que não a consideram honesta”.

A admissão da ingerência da Rússia consiste, contudo, numa mudança da posição da equipa do Presidente eleito sobre o assunto. Donald Trump afirmara anteriormente que as intrusões nos sistemas informáticos dos democratas podiam ter sido levadas a cabo pela China ou por um hacker com meios rudimentares.

Alguns senadores republicanos, entre os quais John McCain, apesar de defenderem que os ataques de hacking não terão sido os responsáveis pela derrota de Clinton, consideram que o caso abriu um perigoso precedente e apelaram ao estabelecimento de novas sanções contra a Rússia.

Uma posição que parece contudo estar bastante distante da preconizada pelo Presidente eleito republicano que no sábado escreveu no Twitter que considera positivo o estabelecimento de “um melhor relacionamento com a Rússia”.