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Boris Johnson viaja até Nova Iorque para se encontrar com equipa de Donald Trump

Toby Melville/Reuters

Chefe da diplomacia britânica vai reunir-se esta segunda-feira com o genro do Presidente eleito dos EUA, Jared Kushner, e com a controversa figura da chamada "direita alternativa", Stephen Bannon. Reunião deverá ser marcada por discussões de "relação especial" entre os dois países, um dia depois de Theresa May ter assegurado que o Reino Unido vai sair do mercado único europeu

O ministro britânico dos Negócios Estrangeiros, Boris Johnson, partiu esta segunda-feira para Nova Iorque para aquele que será o primeiro encontro formal de um membro do governo de Theresa May com a futura administração de Donald Trump.

O chefe da diplomacia britânica deverá encontrar-se já hoje com o genro do Presidente eleito, Jared Kushner, e com o Steve Bannon, fundador e ex-diretor do site de notícias Breitbart News, ligado à chamada "direita alternativa", que entre outras coisas defende o "nacionalismo branco" é uma resposta legítima aos atuais problemas dos Estados Unidos.

O encontro marca o primeiro contacto formal entre um ministro de May e a equipa de transição de Trump desde a sua vitória nas presidenciais norte-americanas em novembro e surge depois de os dois chefes de gabinete de May, Fiona Hill e Nick Timothy, terem mantido encontros privados com membros da equipa do Presidente eleito — que toma posse a 20 de janeiro.

"Após uma reunião bem-sucedida no mês passado entre os chefes de gabinete da primeira-ministra e a equipa do Presidente eleito Donald Trump, Boris Johnson vai fazer uma curta visita aos EUA para se encontrar com conselheiros próximos do Presidente eleito e com os líderes do Congresso", anunciou a assessoria do MNE britânico. "As discussões irão centrar-se nas relações Reino Unido-EUA e outras questões de política externa."

A visita foi anunciada pouco depois de May ter usado a sua primeira entrevista de 2017 para dar a mais clara indicação até agora de que o Reino Unido vai abandonar o mercado único europeu no âmbito do processo de saída da União Europeia. Tal reforça a importância de garantir um acordo de trocas comerciais com os Estados Unidos antes de o Brexit estar concluído e aumenta a especulação de que Johnson vai tentar negociar uma "relação especial" com os EUA.

Durante a campanha presidencial norte-americana, Johnson foi um dos políticos britânicos mais críticos de Trump. Depois de o candidato republicano ter sugerido que há zonas de Londres que estão dominadas pelos muçulmanos (quando prometeu proibir a entrada de pessoas que professam essa fé nos EUA se fosse eleito), o ministro dos Negócios Estrangeiros disse que Trump "claramente perdeu a cabeça" e que, por causa da sua "ignorância inacreditável", "não se qualifica para ser Presidente dos Estados Unidos". Desde que Trump derrotou Hillary Clinton em novembro, contudo, Johnson alterou a sua postura, congratulando o multimilionário pelas suas capacidades negociais.

No sábado à noite, Trump anunciou no Twitter que estava a planear encontrar-se com May em breve, provavelmente em março, e disse que o Reino Unido é um aliado muito especial dos EUA. Na entrevista no domingo, a primeira-ministra foi confrontada com o facto de Trump se gabar se apalpar mulheres sem o seu consentimento porque é "uma celebridade" e "por isso pode", numa gravação secreta que foi tornada pública durante a campanha presidencial.

"Penso que é inaceitável, mas na verdade o próprio Donald Trump já pediu desculpa por isso", respondeu a chefe do Executivo. "A relação que o Reino Unido tem com os EUA tem a ver com algo muito maior do que com uma relação entre dois indivíduos enquanto Presidente e primeira-ministra. Isso é importante, mas na verdade temos uma relação especial de longa data com os Estados Unidos. É baseada em valores comuns e aqui no Reino Unido sentimos que podemos dizer aos EUA que discordamos de algo que eles estão a fazer."

A relação entre o governo de May e a futura administração de Trump tem sido marcada por algumas complicações, em particular por causa da inesperada intervenção de Nigel Farage, antigo líder do partido anti-imigração UKIP e grande defensor do Brexit, que foi o primeiro político britânico a encontrar-se com o candidato republicano ainda antes de a vitória deste começar a ganhar contornos reais.

Poucos dias depois da vitória de Trump, Farage voltou a reunir-se com o Presidente eleito, muito antes de qualquer encontro com membros oficiais do Governo britânico ter sido marcado. Depois disso, e de Trump ter sugerido que Farage deveria ser o novo embaixador do Reino Unido em Washington, o ex-líder do UKIP disse que o atual representante diplomático nos EUA, o embaixador Kim Darroch, não tem acesso à forma de pensar da futura administração.