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Theresa May reforça prioridades: Primeiro, o controlo das fronteiras, depois o acesso ao mercado único

Leon Neal / Getty Images

Primeira-ministra britânica Theresa May negou, em entrevista, que o Governo britânico tenha um “pensamento confuso” em relação à saída do Reino Unido da União Europeia, respondendo assim às críticas de Ivan Rogers, o ex-embaixador britânico na União Europeia que se demitiu do cargo por alegadas divergências com a gestão do Governo de May

Helena Bento

Jornalista

Na sua primeira entrevista frente às câmaras este ano, a primeira-ministra britânica Theresa May negou que o Governo britânico tenha um “pensamento confuso” em relação à saída do Reino Unido da União Europeia (UE) e indicou que a sua grande prioridade será o controlo das fronteiras do país, mais do que o acesso ao mercado único.

Theresa May reagia assim às acusações de Ivan Rogers, o ex-embaixador britânico na União Europeia que no passado dia 3 anunciou que ia abandonar o cargo, por alegadas divergências com a gestão do Governo da primeira-ministra britânica. Numa carta posterior ao anúncio da sua demissão, Ivan Rogers acusou diretamente o Governo britânico - e indiretamente May - de ter “um pensamento confuso” e usar “argumentos sem fundamento” quando fala sobre o Brexit.

Na mesma carta, o ex-embaixador recomendou aos colegas da equipa de Bruxelas para dizerem “a verdade ao poder” quanto às negociações para a saída do Reino Unido da UE. “Espero que continuem a apoiar-se nos momentos difíceis em que tiverem de transmitir mensagens que sejam desagradáveis para aqueles que precisam de ouvi-las. Espero também que continuem interessados em ouvir os pontos de vista dos outros, mesmo quando estejam em desacordo com eles, e que compreendam porque é que os outros agem e pensam da forma como estão a agir e a pensar”, acrescentou.

Sobre as declarações de Ivan Rogers, Theresa May limitou-se a dizer que o pensamento do Governo “não é confuso de todo” e que se o processo ainda não está terminado é porque o Governo considera “importante estudar bem o assunto”.

Para a primeira-ministra britânica, a principal prioridade é assegurar o controlo das fronteiras do país e só depois “negociar o melhor acordo com os restantes países da Europa”. “As pessoas dão a entender muitas vezes que aquilo que nós queremos é sair da União Europeia mas ainda assim mantermo-nos, de alguma forma, como membros. Mas nós estamos de partida. Vamos sair. Vamos mesmo deixar de ser membros da UE”, disse a primeira-ministra em entrevista à estação britânica Sky News.

Questionada sobre se está preparada para sacrificar o acesso ao mercado único em virtude do controlo das fronteiras do país, Theresa May disse a questão não se pode colocar assim e que não se trata de uma “escolha binária”. “A questão aqui é saber que relação deverá ter o Reino Unido com a União Europeia assim que abandonar o bloco. Nós vamos conseguir retomar o controlo das nossas fronteiras. Foi para isso que as pesssoas votaram no dia 23 de junho”.

É “óbvio”, porém, “que continuamos a querer negociar o melhor acordo para nós, um acordo que permita às empresas britânicas continuar a comercializar e a operar na União Europeia e que permita, do mesmo modo, às empresas europeias continuar a comercializar e a operar no Reino Unido”, disse a ministra. “Todos os que olham para esta questão da livre circulação de pessoas e mercadorias como uma espécie de jogo de soma zero estão a abordar o tema de forma errada (...). Tenho ambição quanto ao que vamos conseguir obter para o Reino Unido da sua relação com a UE, porque acredito que também vai ser bom para a UE”, acrescentou.