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Jerusalém: Pelo menos quatro soldados mortos em “ataque terrorista” com camião

RONEN ZVULUN/REUTERS

Grupo de soldados foi atropelado por um camião no bairro de Talpiot, na Cidade Velha de Jerusalém. Um porta-voz da polícia israelita descreveu o incidente como um “atentado terrorista”. O movimento palestiniano Hamas congratulou-se com o ataque, que ainda não foi reivindicado

Helena Bento

Jornalista

Pelo menos quatro soldados morreram e outros 13 ficaram feridos este domingo depois de terem sido atropeladas por um camião no bairro de Talpiot, na Cidade Velha de Jerusalém, de acordo com o Magen David Adom, o serviço nacional de emergência médica. A polícia israelita, citada pela Al-Jazeera, fala em “ataque deliberado”.

Um porta-voz da polícia citado igualmente pela televisão árabe descreveu o incidente como um “atentado terrorista”. O condutor, que de acordo com o comissário da polícia Roni Alsheich era palestiniano e residia num bairro árabe da cidade, terá sido abatido pelas autoridades.

O primeiro-ministro israelita lamentou o ataque e disse que “todos os sinais indicam que o condutor foi inspirado pelo Daesh [autoproclamado Estado Islâmico]”. “Sabemos quem é o atacante e, de acordo com todos os sinais, é um apoiante do Daesh”, disse Benjamin Netanyahu, acrescentando que as autoridades estão a conduzir buscas no bairro onde ele vivia.

As vítimas mortais - três mulheres e um homem - tinham cerca de 20 anos e de acordo com o “Jerusalem Post” foram atingidas quando estavam a sair de um autocarro.

Eitan Rod, uma testemunha do ataque, disse à rádio israelita que o condutor do camião, depois de atropelar o grupo de soldados, fez marcha atrás para atingir os restantes elementos do grupo. Em declarações à imprensa local após o incidente, Roni Alsheich disse que o camião tinha matrícula israelita, o que poderá sugerir que foi roubado.

Fonte do serviço de emergência presente no local informou que um dos feridos encontra-se em estado muito grave, quatro em estado grave e os restantes sofreram apenas ferimentos ligeiros. Landy Sharon, paramédico, contou ao “Jerusalem Post” ter visto “dez pessoas no chão, alguns delas presas debaixo do camião”.

Num comunicado citado pelo “Jerusalem Post”, o presidente da Câmara da cidade, Nir Barkat, apelou aos residentes para “não deixarem o terrorismo vencer”. “Para nosso desespero, não há um limite para a crueldade dos terroristas que estão dispostos a recorrer a todos os meios para assassinar judeus e perturbar o quotidiano da capital de Israel”. Todos aqueles que “incitam e atiçam o ódio e apoiam o terror devem pagar um preço elevado por isso”, disse ainda o presidente da Câmara, apelando à população para “estar alerta e manter as suas rotinas, apesar do ataque”.

Desde o último ano, atacantes palestinianos mataram 36 israelitas e dois norte-americanos numa série de ataques. No mesmo período 231 palestinianos foram mortos por fogo israelita. Segundo Israel, a maioria das vítimas era atacante; os restantes terão morrido em confrontos.

Ataque foi um ato “heroico”, diz Hamas

O movimento palestiniano Hamas congratulou-se com o ataque, que ainda não foi reivindicado. De acordo com o porta-voz do Hamas Abdul-Latif Qanu, tratou-se de um ato “heroico” que encoraja outros palestinianos a fazerem o mesmo e a “escalar a resistência”.

O ataque desta manhã na capital israelita prova, segundo Qanu, que a onda de violência palestiniana não acabou, apesar da trégua recente. “Pode ser silenciosa, pode demorar, mas nunca irá acabar”, salientou.

[Notícia atualizada às 14h30]