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Trump confirma nomeação de Dan Coats para diretor dos serviços secretos

Dan Coats, antigo senador do estado do Indiana

Alex Wong/Getty Images

O ex-senador do estado do Indiana foi um forte crítico da anexação da Crimeia pela Rússia, em 2014, tendo apelado a Obama, em várias ocasiões, para assumir uma postura punitiva em relação a Moscovo

Helena Bento

Jornalista

Donald Trump confirmou este sábado a nomeação do antigo senador do estado do Indiana Dan Coats para o cargo de diretor dos serviços secretos norte-americanos. Coats, disse o Presidente eleito, “é a pessoa certa para liderar os esforços incessantes da nova administração contra todos aqueles que nos querem prejudicar”, disse Trump, num comunicado citado pela Associated Press e o “Washington Post”, entre outros jornais norte-americanos.

O anúncio de Trump é feito um dia depois de ter sido divulgada uma versão do relatório dos serviços de informação norte-americanos que conclui que o Presidente russo Vladimir Putin ordenou uma “campanha de influência” com o objetivo de prejudicar a ex-candidata democrata Hillary Clinton e ajudar Donald Trump a vencer as eleições presidenciais de 8 de novembro.

O relatório completo, que representa a primeira acusação formal do Governo dos EUA contra o “o maior esforço” feito até agora para influenciar uma eleição norte-americana, foi entregue à Casa Branca, a Donald Trump e a líderes do Congresso. Nele são detalhados os esforços russos para interferir nas eleições presidenciais, nomeadamente através de ações de pirataria contra e-mails do Comité Nacional Democrático e de líderes democratas, como Hillary Clinton e o seu diretor de campanha John Podesta.

Segundo o relatório, os dirigentes russos usaram propaganda financiada pelo Estado e pagaram a pessoas para fazer comentários maldosos nas redes sociais, adiantou-se no documento. Os serviços secretos não encontraram provas de que os piratas informáticos tenham influenciado as máquinas de contagem de votos.

Depois de divulgada a versão parcial do relatório (14 páginas), Donald Trump, revelando pela primeira vez alguma preocupação em relação ao assunto (ou pelo menos uma não indiferença total), disse ter um “respeito tremendo” por todos aqueles que trabalham nas agências de informação nacionais e anunciou que ao longo dos primeiros três meses do seu mandato vai criar uma equipa que estará encarregue de combater os ataques informáticos. “Temos de combater de forma agressiva e pôr fim aos ataques informáticos”, disse o Presidente eleito, citado pelo “Los Angeles Times”.

Dan Coats, republicano de 73 anos, foi senador do estado do Indiana entre 1989 e 1990 e depois novamente entre 2011 e 2017. Foi membro do Comité dos Serviços de informação do Senado antes de abandonar o Congresso, no ano passado. Também foi embaixador dos Estados Unidos na Alemanha, durante a presidência de George W. Bush.

Como diretor dos serviços secretos dos EUA, Dan Coats vai supervisionar uma agência criada após os atentados do 11 de Setembro para melhorar a coordenação entre espiões norte-americanos e as autoridades nacionais. O seu nome aguarda ainda a confirmação do Senado.

No comunicado divulgado este sábado, Trump diz que Coats “demonstrou claramente a competência e o bom senso necessários para liderar os serviços secretos”. Já o ex-senador, num comunicado divulgado pela equipa de transição do Presidente eleito e citado também pelo “Washington Post”, afirmou que para ele “não há outra prioridade senão manter a América segura” e que irá “utilizar todos as recursos disponíveis para que isso aconteça”.

O ex-senador foi um forte crítico da anexação da Crimeia pela Rússia, em 2014, tendo apelado a Obama, em várias ocasiões, para assumir uma postura punitiva em relação a Moscovo. Quando foram aprovadas as sanções contra a Rússia, Coats e outros dirigentes políticos foram proibidos pelo Kremlin de viajar para o país.