Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Depois de deixar cargo de embaixador, Ivan Rogers vai abandonar política ativa

FRANCOIS LENOIR/ REUTERS

Rogers, tido como uma das figuras do executivo britânico mais competentes para conseguir um acordo favorável ao Reino Unido nas negociações do Brexit, deixou o cargo de embaixador esta semana, sendo substituído por Tim Barrow, um diplomata que ocupou diversos cargos no Ministério dos Negócios Estrangeiros e representou o Reino Unido junto de várias entidades da União Europeia

Helena Bento

Jornalista

Depois de se ter demitido de forma inesperada do cargo de embaixador britânico na União Europeia (UE), Ivan Rogers anunciou este sábado que vai abandonar completamente a vida política, confirmou o gabinete do Ministro dos Negócios Estrangeiros e da Commonwealth (FCO, na sigla original), citado pelo britânico “The Guardian”.

Questionado sobre o facto de terem sido ou não feitas tentativas para evitar a saída de Ivan Rogers, um porta-voz do FCO disse apenas que a decisão partiu “inteiramente” do ex-embaixador britânico.

Na passada terça-feira, dia 3, Ivan Rogers anunciou que ia abandonar o cargo de embaixador britânico na UE por alegadas divergências com a gestão do Governo da primeira-ministra Theresa May, quando faltam menos de três meses para o início das negociações do Brexit.

Na sua carta de demissão, Rogers recomendou aos colegas da equipa de Bruxelas que desafiem “o pensamento confuso” e que digam “a verdade ao poder” quanto às negociações para a saída do Reino Unido da UE.

“Espero que continuem a apoiar-se nos momentos difíceis em que tiverem de transmitir mensagens que sejam desagradáveis para aqueles que precisam de ouvi-las. Espero também que continuem interessados em ouvir os pontos de vista dos outros, mesmo quando estejam em desacordo com eles, e que compreendam porque é que os outros agem e pensam da forma como estão a agir e a pensar”, acrescentou.

O ex-embaixador revelou também que os funcionários continuam sem saber quais são as prioridades de negociação do executivo de Londres.

Rogers era tido como uma das figuras do executivo britânico mais competentes para conseguir um acordo favorável ao Reino Unido nas negociações e um dos melhores especialistas em questões relacionadas com a Europa. O ex-primeiro-ministro David Cameron apontara-o para o cargo de embaixador em 2013.

A saída de Rogers “enfraquece a possibilidade de Theresa May [primeira-ministra britânica] conseguir um bom acordo com a UE”, referiu na altura Charles Grant, diretor do Centro para a Reforma Europeia. “Ivan Rogers era um das poucas pessoas à frente do Governo britânico que percebia a UE”, referiu ainda, citado pela agência noticiosa.

Tim Barrow irá substituí-lo no cargo, tendo sido escolhido por May por recomendação do secretário do conselho de ministros, Jeremy Heywood. Uma fonte governamental descreveu-o como um “negociador hábil e experimentado, com uma vasta experiência em alcançar os objetivos do Reino Unido em Bruxelas, que levará a sua conhecida energia e criatividade para o cargo e trabalhará com outros funcionários e ministros para fazer do Brexit um êxito”.

Tim Barrow é um diplomata de carreira que ocupou diversos cargos dentro do Ministério dos Negócios Estrangeiros e representou o Reino Unido junto de várias entidades da UE. O diplomata de 52 anos, que estudou nas universidades inglesas de Warwick e Oxford, foi também embaixador em Moscovo (2011-2015) e na Ucrânia (2006-2008).