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Internacional

Rússia anuncia início da retirada de forças militares da Síria

EPA

Flotilha naval destacada no Mediterrâneo será a primeira a regressar a casa, segundo o Ministério da Defesa, uma semana depois da implementação de um cessar-fogo negociado por Moscovo e Ancara que a ONU diz estar a ser respeitado em larga medida

O primeiro anúncio russo de que pretendia retirar as suas forças militares da Síria surgiu há quase um ano, em março de 2016. Em meados desse mês, Vladimir Putin causou espanto e surpresa entre as várias potências envolvidas no conflito ao anunciar que ia começar a diminuir a sua participação na guerra civil que completa seis anos precisamente em março deste ano — e que já terá causado meio milhão de mortos e milhões de deslocados e refugiados.

Na altura o passo foi aplaudido pelo enviado especial da ONU para a Síria. "O anúncio do Presidente Putin no preciso dia do início da ronda de conversações intra-sírias em Genebra", declarou Staffan de Mistura, "é um desenvolvimento importante, que esperamos que tenha um impacto positivo no progresso das negociações".

Nesse 15 de março, o Ministério da Defesa russo publicou na internet um vídeo onde se via um primeiro conjunto de aviões a descolar da base aérea de Khmeimim, em Latakia, alegadamente em rota para Moscovo. Mas também nesse dia, o Governo russo garantiu que ia manter em curso a campanha de ataques aéreos contra áreas controladas por grupos da oposição a Bashar al-Assad, o contestado Presidente sírio de quem Putin é grande aliado. A par disso, centenas de tropas e sistemas de defesa aérea também seriam mantidos no terreno até novas ordens, disse o líder russo.

As novas ordens parecem ter chegado hoje, semanas depois de Assad ter firmado a sua maior vitória desde o início da guerra, a reconquista total de Alepo, muito graças ao apoio militar de Moscovo. Esta sexta-feira, o chefe das forças armadas russas anunciou que a redução de forças vai começar em breve e que o porta-aviões e restante flotilha naval que o país estacionou no Mediterrâneo será a primeira a abandonar a região.

"O Ministério da Defesa russo está a começar a reduzir as suas forças armadas destacadas para a Síria", disse o general Valery Gerasimov. O anúncio surge uma semana depois da Rússia e Turquia, rivais na complexa guerra da Síria, terem alcançado um cessar-fogo para todo o território — um que, segundo observadores da ONU, tem estado a ser respeitado em larga medida mas que Ancara diz estar a ser parcialmente violado pelo regime sírio e as forças que o apoiam no terreno.