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Nova app permite que mulheres denunciem assédio em tempo real no Paquistão

STEVE MARCUS/Reuters

A partir do momento em que a vítima pede ajuda através da aplicação é posta em ação uma resposta de emergência por parte da polícia

O pressuposto da app é simples: com apenas um clique, as mulheres conseguem alertar a polícia no momento em que estão a ser vítimas de assédio. Através do sistema de localização por GPS, as autoridades conseguem localizar a vítima e ir em seu auxílio. A aplicação foi lançada esta semana na província de Punjab, no Paquistão, e resulta de um esforço das autoridades para promover a segurança das mulheres naquela que é uma das regiões onde acontecem mais crimes contra este sexo.

Apesar de a aplicação servir primeiramente para cobrir “casos de assédio na rua, oferece também a possibilidade às mulheres que sofrem de violência física dentro de casa de pedirem ajuda”, explicou Fauzia Viqar, presidente da Comissão de Punjab sobre o Estatuto das Mulheres, que esteve envolvida no lançamento da app. A presidente referiu que as utilizadoras também podem usar a aplicação para marcar localizações que não são seguras e terem acesso a uma linha de ajuda grátis que fornece informação sobre a legislatura para proteger os direitos das mulheres, entre outros serviços.

Ativistas pelos direitos das mulheres deram as boas-vindas à aplicação mas expressaram preocupações por nem todas as mulheres a poderem utilizar. “A aplicação pode assegurar o apoio em tempo real, mas não é eficaz nas áreas rurais, onde a maioria das pessoas é pobre e não tem acesso a um smartphone”, disse Romana Bashir, líder da organização pelos direitos das mulheres “Peace and Development Foundation”.

Romana Bashir alerta ainda que é preciso sensibilizar os oficiais da polícia para a violência contra as mulheres. “Frequentemente temos queixas de que os próprios polícias são responsáveis por mau comportamento com quem pede auxílio. Precisam de ser educados sobre as questões de género para que as mulheres possam confiar neles”, disse Bahir em declarações à Reuters, citada pelo “The Guardian”.

No ano passado, a província de Punjab aprovou uma lei que conferia proteção legal para as mulheres vítimas de violência doméstica, psicológica e sexual. Mas desde que a lei foi aprovada, muitos clérigos conservadores e líderes religiosos têm-se queixado de que está em conflito com o Corão e com a constituição.

Violência doméstica, discriminação económica e ataques com ácidos fazem do Paquistão o terceiro país mais perigoso do mundo para as mulheres, como demonstra um estudo de 2011 da “Thomson Reuters Foundation”.