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EUA dizem ter identificado russos que roubaram e-mails dos democratas

AFP/GETTY IMAGES

Nome dos agentes alegadamente envolvidos no roubo dos e-mails não foi divulgado. Relatório que contém provas da suposta interferência russa nas eleições presidenciais será entregue a Donald Trump esta sexta-feira e na próxima semana será tornada pública uma versão mais curta. O Presidente eleito continua cético em relação à investigação do FBI, que descreveu como um “ataque político” contra si e uma “caça às bruxas”

Helena Bento

Jornalista

Os Estados Unidos identificaram os agentes russos que acusam de serem responsáveis pelo roubo e divulgação de documentos do Comité Nacional Democrático com o objetivo, segundo Washington, de influenciar o resultado das eleições presidenciais do dia 8 de novembro.

O nome destes agentes, acusados de terem eles mesmo roubado e entregue à WikiLeaks os e-mails que vieram a ter um impacto negativo na campanha da ex-candidata democrata Hillary Clinton, não foi divulgado. O Presidente Barack Obama estará já na posse do relatório confidencial que os serviços de informação norte-americanos dizem conter as provas da interferência russa nas eleições presidenciais; o mesmo documento será entregue a Donald Trump esta sexta-feira e na próxima semana será tornada pública uma versão mais curta, de acordo com a BBC.

Segundo a CNN, a Reuters e o “Washington Post”, o relatório cita fontes dos serviços de informação que terão alegadamente interceptado comunicações em que figuras de topo do Governo russo se congratulam com a vitória de Donald Trump. As conversas incluem pessoas que os serviços norte-americanos acreditam ter conhecimento da interferência nas eleições. O documento, de acordo com os meios de comunicação aqui referidos, demonstra ainda que parte dos ataques informáticos tinham como finalidade ajudar Trump a vencer as eleições. De acordo com a NBC News, os agentes russos alegadamente envolvidos na operação tinham como alvo não apenas o Comité Nacional Democrata, como também a Casa Branca, o Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, o Departamento de Estado e grandes corporações norte-americanas.

Esta sexta-feira, Donald Trump voltou a lançar suspeitas sobre a investigação do FBI e da CIA. “O comité nacional do Partido Democrata não deixa o FBI estudar ou ver a info dos computadores que foram supostamente atacados pela Rússia. Por isso, como é que eles estão certos do ataque se nunca pediram um exame aos servidores? O que é que se está a passar?”, escreveu Trump.

Este tweet seguiu-se a outro, na quinta-feira, em que Trump afirmou ser “muito estranho que o briefing dos serviços de informação sobre a suposta intervenção russa nas eleições norte-americanas tenha sido adiado para a sexta-feira”. “Talvez precisem de mais tempo para construir a acusação”, escreveu o magnata do imobiliário.

“Investigação do FBI é uma caça às bruxas e um ataque político”

Esta sexta-feira, em entrevista ao “New York Times”, Donald Trump acusou a investigação em torno dos ataques informáticos de ser uma “caça às bruxas” orquestrada pelos seus adversários políticos, que se sentiram “envergonhados pela derrota eleitoral”, e um “ataque político” contra si.

Na opinião de Trump, os serviços de informação deveriam estar mais interessados em investigar a China, que “relativamente recente roubou os dados de 20 milhões de funcionários do Governo federal” (Trump referia-se à fuga de informações dos computadores do Gabinete de Gestão Pessoal do Governo norte-americano ocorrida em finais de 2014 e inícios de 2015). “Porque é que ninguém fala sobre isso?”, questionou Trump.

O magnata sublinhou ainda que houve anteriormente outros ataques informáticos à Casa Branca e ao Congresso que foram bem-sucedidos, sugerindo que é injusto que eles não tenham sido investigados nem recebido a atenção que a alegada interferência russa nas eleições tem tido.

“Dito isto, não quero que os países pirateiem o nosso país. Piratearam a Casa Branca. Piratearam o Congresso. Nós somos a capital mundial da pirataria”, concluiu Trump.

“Cresce, Donald!”

Foi exatamente assim que Joe Biden, vice-presidente dos EUA, se dirigiu a Donald Trump recentemente. “Cresce, Donald. Cresce. Chegou a altura de seres adulto. És o Presidente. Tens que fazer alguma coisa. Mostra-nos do que és capaz”, disse Biden numa entrevista à estação de televisão pública norte-americana PBS, quando questionado sobre os recentes comentários de Trump no Twitter, rede social que o presidente eleito tem usado para vários propósitos, desde criticar medidas políticas concretas e os serviços secretos norte-americanos, como insultar adversários políticos (chamou “palhaço chefe” ao líder dos democratas no Senado, Chuck Schumer, na quinta-feira).

Na mesma entrevista, o vice-presidente disse ser “absolutamente impensável” que Trump duvide das conclusões dos serviços de informações.