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Expresso

Internacional

EUA destacam tropas para a fronteira com a Rússia

Estados do leste europeu temem deterioração da segurança por causa da guerra na Ucrânia e da anexação da Crimeia pela Rússia

ANATOLII STEPANOV

Estados do Báltico têm "um medo de morte" de Moscovo e "estão abertos" à presença de forças especiais norte-americanas nos seus territórios, garante chefe do Comando de Operações Especiais do Pentágono

Os Estados Unidos destacaram para a linha da fronteira oeste da Rússia uma equipa de forças especiais que vem engrossar a presença "persistente" de tropas da NATO nos Estados do Báltico. As dezenas de soldados vão ficar estacionados no flanco oriental da Europa, para nas palavras do chefe do Comando de Operações Especiais dos EUA garantirem a segurança dos aliados Letónia, Lituânia e Estónia e para que os EUA possam monitorizar as manobras russas no terreno.

Em entrevista ao "New York Times" na quinta-feira, o general Raymond Thomas argumenta que os Estados do Báltico estão "desesperados" por ajuda americana para dissuadir potenciais agressões russas. "Eles têm um medo de morte da Rússia. Estão muito abertos [ao destacamento de tropas estrangeiras nas suas fronteiras]."

A informação foi confirmada pela porta-voz do Ministério da Defesa da Lituânia, Asta Galdikaite, que esta quinta-feira explicou a jornalistas do país que os Estados Unidos ofereceram "medidas de segurança adicionais aos países do Báltico no rescaldo da deterioração da situação securitária na região". Quase dois anos depois da anexação da Crimeia por Moscovo, a situação naquela zona do continente europeu continua instável, com a guerra civil no leste da Ucrânia ainda em curso.

O gabinete do Presidente lituano também pareceu confirmar a mesma informação num comunicado onde sublinha que os EUA estão a desempenhar um "papel ativo" para "garantir a segurança mais fiável possível aos Estados do Báltico e a toda a comunidade transatlântica".

As tropas especiais americanas vão ajudar a treinar as forças locais e vão reforçar as operações de recolha de informações já levadas a cabo pela CIA no terreno. Ao longo dos próximos meses, irão complementar os cerca de quatro mil soldados da NATO já estacionados na Polónia, Lituânia, Estónia e Letónia.

A par das forças norte-americanas, o Reino Unido planeia enviar um batalhão de 800 soldados para a Estónia a partir de maio, a par de tropas francesas e dinamarquesas. O Canadá deverá enviar 450 soldados para a Letónia e a Alemanha até 600 tropas para a Lituânia.

Este é o maior destacamento de tropas para as portas da Rússia desde a Guerra Fria e, sem surpresas, voltou a ser criticado como um passo "verdadeiramente agressivo" por Moscovo. O país, disse o Kremlin em comunicado esta quinta-feira sem avançar mais pormenores, tem "todo o direito soberano de tomar as medidas necessárias em todo o território da federação russa" para responder a esta "provocação".

Nos últimos meses, as tensões entre a Lituânia em particular e o seu vizinho russo têm estado a aumentar, sobretudo depois de Moscovo ter instalado mísseis nucleares Iskander no seu enclave de Kaliningrado, plantado à beira do mar Báltico, nas fronteiras com aquele país e a Polónia. A NATO respondeu à movimentação com o reforço da sua presença militar na região, tendo enviado na primavera batalhões de entre 800 e 1200 soldados para cada um dos três Estados do Báltico e para a Polónia.

A aparente estratégia de reaproximação da Rússia que o Presidente eleito dos EUA, Donald Trump, parece empenhado em levar a cabo está a elevar questões sobre qual será a postura dos norte-americanos ao leme do empresário populista assim que este tomar posse a 20 de janeiro, aumentando os receios dos países que fazem fronteira com a Rússia. Acresce a isso o facto de, durante a campanha eleitoral, Trump ter sublinhado várias vezes que pretende cobrar compensações financeiras aos aliados da NATO pela proteção dos EUA.

Nos últimos meses, o nervosismo das autoridades da Lituânia — que em novembro tinham avisado que Vladimir Putin pode "testar a NATO" antes sequer de Trump tomar posse — tem sido palpável. Entre as medidas tomadas pelo governo conta-se a distribuição de panfletos aos cidadãos a explicar-lhes como podem identificar armas e equipamento da Rússia.