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Duterte quer que a Rússia seja o novo aliado e protetor das Filipinas. Bye, bye América

O almirante Eduard Mikhailov, da frota russa do Pacífico, dá passagem ao Presidente das Filipinas Rodrigo Duterte.

POOL/REUTERS

Vários analistas têm interpretado a presença naval russa em Manila como mais uma confirmação da viragem na política externa e de defesa das Filipinas após a chegada ao poder, em junho de 2016, de Rodrigo Duterte, que prometeu desfazer a tradicional aliança militar com Washington

Helena Bento

Jornalista

O Presidente das Filipinas Rodrigo Duterte afirmou esta sexta-feira esperar que a Rússia de Vladimir Putin se torne o país aliado e protetor das Filipinas, numa visita a um dos navios russos que estão, desde terça-feira, a paricipar num exercício militar.

“Queremos dar as boas-vindas aos nossos amigos russos e dizer-lhes que podem atracar aqui sempre que quiserem, seja para treinar, seja para reabastecer ou até proteger-nos”, disse Duterte, citado pela Reuters, enquanto apertava a mão ao almirante Eduard Mikhailov, da frota russa do Pacífico, refere a mesma agência de notícias.

Os sinais da aproximação entre Moscovo e Manila são cada vez mais óbvios; é mútua a vontade de estreitar laços e reforçar as relações bilaterais. Na quarta-feira, o embaixador russo em Manila, Igor Khovaev, disse que a Rússia está disposta a fornecer armas “sofisticadas” às Filipinas.

“Estamos dispostos a fornecer armas de fogo ligeiras, alguns aviões e helicópteros, submarinos e muitas outras armas. Armas sofisticadas. Não armas em segunda mão”, disse o embaixador, citado pela Reuters, salvaguardando, porém, que a “Rússia tem muito a oferecer, mas tudo terá de ser feito de acordo com a lei internacional”.

Dois navios militares russos atracaram na terça-feira, 3 de janeiro, em Manila, numa visita – a terceira na História e a primeira em quatro anos – organizada com o objetivo de “promover a boa vontade, contribuir para a amizade entre a Marinha das Filipinas e a da Rússia e melhorar a cooperação marítima através da diplomacia naval e camaradagem”, numa altura em que as Filipinas se distanciam cada vez mais dos seu aliado histórico, os EUA.

O “Almirante Tributs”, um navio preparado para a guerra antisubmarina, e o navio reabastecedor “Boris Butoma” vão permanecer nas águas do país até sábado para participar em cerimónias e atividades conjuntas entre as forças navais de ambos os países, informou nos últimos dias a marinha filipina em comunicado citado pela imprensa internacional.

Vários analistas têm interpretado a chegada dos navios russos como mais uma confirmação da viragem na política externa e de defesa das Filipinas após a chegada ao poder, em junho de 2016, de Rodrigo Duterte, que prometeu desfazer a tradicional aliança militar com Washington. Duterte já ameaçou anular um acordo bilateral de defesa em vigor desde 1999 e que contempla, entre outros aspectos, o uso de bases filipinas por parte do Exército norte-americano e a realização de exercícios militares conjuntos de forma regular.

Com a chegada ao poder de Donald Trump, que toma posse a 20 de janeiro, a tentativa de Duterte de afastar as Filipinas dos EUA pode ser revertida. Dias após serem conhecidos os resultados das eleições presidenciais norte-americanas, o chefe de Estado filipino felicitou o magnata do imobiliário pela sua “bem merecida vitória”. Semanas depois, Donald Trump falou ao telefone com Duterte e convidou-o a visitar os Estados Unidos.

Em dezembro do ano passado, os ministros da Defesa e Negócios Estrangeiros filipinos viajaram para Moscovo para participar em negociações sobre o comércio de armas, depois de um senador norte-americano ter dito que iria bloquear a venda de 26 mil armas para as Filipinas por causa da guerra contra as drogas lançada por Duterte, que já causou a morte a milhares de pessoas. O próprio Rodrigo Duterte planeia visitar Moscovo em abril ou em maio deste ano, a convite do Presidente russo Vladimir Putin.