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Expresso

Internacional

Turquia acusa Assad de violar acordo de cessar-fogo

Os arredores de Damasco são o novo foco principal da guerra na Síria

ABD DOUMANY

Negociações de paz para a Síria marcadas para este mês no Cazaquistão “estão em risco”, avisa chefe da diplomacia turca

O ministro turco dos Negócios Estrangeiros acusou o Governo sírio de violar o frágil cessar-fogo que a Turquia e a Rússia alcançaram para a Síria e avisou Bashar al-Assad que a nova ronda de negociações de paz, a ser organizada pelos dois países e marcada para este mês na capital do Cazaquistão "está em risco" por causa disso.

O acordo de trégua alcançado na semana passada por Ancara e Moscovo, na sequência da retirada de todos os civis e rebeldes encurralados em Alepo, trouxe relativa calma a grande parte do território sírio mas está a ser ameaçado pelos combates no terreno na região de Wadi Barada, perto da capital síria, Damasco.

Assim ditou na quarta-feira Mevlut Cauvosglu, chefe da diplomacia turca, exigindo ao governo sírio e às forças que o apoiam que acabem com as "violações" da trégua, caso contrário as negociações em Astana podem ter um fim abrupto. "Se estas crescentes violações não acabarem, o processo de Astana pode falhar. Depois do cessar-fogo assistimos a violações", disse o ministro à agência estatal turca Anadolu, referindo-se à batalha das forças do Governo sírio em parceria com a milícia libanesa Hezbollah para recapturar Wadi Barada aos rebeldes.

A região, que representa a principal fonte de abastecimento de água à capital síria, está cercada pelas forças leais a Assad desde 2015 e nas últimas semanas assistiu a um reforço da pressão do regime sírio para alcançar um "acordo de reconciliação" com os opositores que controlam aquela faixa de território. Acordos semelhantes têm sido alcançados com os vários grupos da rebelião armada noutras zonas dos arredores de Damasco, garantindo passagem segura aos rebeldes para outras partes do país em troca da sua rendição.

Há uma semana, o governo acusou a rebelião que controla Wadi Barada de estar a atingir deliberadamente as infraestruturas aquíferas, levando primeiro ao envenenamento da água que é distribuída pela capital e depois ao corte total de fornecimento de água potável. Os rebeldes dizem que essas infraestruturas ficaram danificadas em ataques governamentais e negam responsabilidade pelo facto de quatro milhões de pessoas estarem sem água desde 22 de dezembro.

Nas suas declarações à Anadolu, Cavusoglu pediu à Rússia e ao Irão, os dois grandes aliados do Presidente Bashar al-Assad que estão envolvidos na preparação das negociações de Astana, que pressionem o Governo sírio e o Hezbollah para que suspendam os combates na região. De acordo com o Observatório Sírio de Direitos Humanos, o pedido continuava esta quinta-feira por atender, com novos combates registados no terreno.

Esta quarta-feira, os principais grupos rebeldes da Síria ameaçaram que não vão participar nos encontros preliminares deste mês na capital do Cazaquistão se Assad continuar a violar a trégua. "O regime e os seus aliados não pararam de abrir fogo e têm cometido grandes e frequentes violações [do cessar-fogo], em particular nas regiões de Wadi Barada e Goutha Oriental", acusou o grupo num comunicado conjunto.