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Internacional

Polícia desmente violações em Bangalore

Indianas manifestam-se contra as alegadas violações de mulheres na noite de passagem de ano, em Bangalore

JAGADEESH NV/EPA

O comissário da polícia de Bangalore, Praveen Sood, afirma não haver provas das alegadas violações que terão ocorrido na passagem de ano no centro de Bangalore, cidade situada no sul da Índia

Para o comissário da polícia local não existem provas que concluam que a violação em massa ocorrida na noite de passagem de ano em Bangalore tenha, de facto, acontecido, contrariando as notícias incialmente avançadas pelos diversos órgãos internacionais de Comunicação Social.

Em entrevista à BBC, Sood explicou que a polícia respondeu de imediato a uma denúncia anónima que afirmava ter visto uma mulher a ser atacada por dois homens: “Percebemos que era claramente um caso de violação. Não esperámos, nem nos preocupámos em perceber quem era a vítima. Não a interrogámos, porque quisemos proteger a sua identidade e abrimos de imediato uma investigação criminal”.

Segundo o comissário, os polícias viram e reviram as imagens gravadas por cerca de 70 câmaras de vigilância, o que os fez perceber que a confusão no local foi causada por uma altercação, seguida de uma investida policial contra os cidadãos para dispersar a multidão: “As pessoas começaram a correr e estavam muitas mulheres lá. Gerou-se o pânico. Houve confronto. As mulheres choravam e esses 30 segundos de confusão foram projetados como uma violação em massa”.

Sood acrescentou que, apesar de toda a polémica gerada em torno do assunto, não há registo de nenhuma queixa de violação ou assédio sexual. Mas, foram várias as mulheres que falaram com a comunicação social local a reportar que foram “tocadas de forma inapropriada”.

Perante a falta de provas, o comissário local culpou os media por terem dado eco a uma suposta onda de violações falsa, causando instabilidade na confiança em torno da segurança nacional.

Uma das vítimas, que quis manter o anonimato, declarou à BBC ter sido assediada quando estava num bar local e que quando saiu, juntamente com outras mulheres, havia homens a tentar tocar-lhes.

“Não havia um único rosto que se pudesse distinguir”, disse, explicando que seria muito difícil apresentar uma queixa nestes termos.

Esta notícia é divulgada após as polémicas declarações do ministro da Administração Interna do Estado Indiano de Karnataka, G Parameshwara, esta quarta-feira à BBC Hindi. O responsável disse que a culpa dos ataques é das jovens “que copiam as ocidentais, não apenas na mentalidade, como também na forma de vestir”.

As declarações do ministro geraram reações de indignação, às quais Parameshwara reagiu de imediato, afirmando num canal televisivo nacional que foi mal interpretado e que sempre zelou pela “proteção das mulheres e crianças”.

Este acontecimento teve lugar em duas das maiores estradas do centro da cidade indiana, quando, no sábado à noite, cerca de 60 mil pessoas se reuniram para festejar a entrada no novo ano. De acordo com testemunhas e jornalistas locais as mulheres foram sexualmente assediadas ou violadas, afirmando tratar-se de mais uma “violação em massa”, acontecimento que se tem repetido frequentemente nos últimos anos na Índia.