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Internacional

ONG contestam atribuição de pasta de Recursos Humanos a comissário alemão

Sean Gallup/GETTY

Diversas organizações não-governamentais europeias lembram que Günther Oettinger proferiu por várias vezes declarações “racistas, sexistas e homofóbicas”

Várias organizações não-governamentais (ONG) europeias consideram que o comissário alemão Günther Oettinger não tem o perfil certo para "herdar" a pasta dos Recursos Humanos e pediram ao Parlamento Europeu que impeça que tal aconteça.

A carta aberta dirigida aos eurodeputados, subscrita por uma dezena de organizações, foi divulgada esta quinta-feira em Bruxelas, a cerca de uma semana de o Parlamento Europeu se pronunciar sobre a proposta do presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, de colocar Oettinger como responsável pelo Orçamento e Recursos Humanos, pastas até agora atribuídas à comissária búlgara Kristalina Georgieva, de saída para o Banco Mundial.

"Enquanto organizações que trabalham em prol da igualdade, não-discriminação e em defesa da transparência e da ética, não nos parece que o comissário Oettinger esteja habilitado para supervisionar os Recursos Humanos na Comissão Europeia", defendem as ONG, recordando que o comissário alemão proferiu declarações "racistas, sexistas e homofóbicas em diversas ocasiões no passado, a mais recente das quais num discurso em Hamburgo a 26 de outubro".

As ONG referem-se a uma intervenção do comissário durante um jantar com o patronato alemão, na qual Oettinger teceu vários comentários controversos, designadamente ao utilizar um termo pejorativo para se referir aos chineses - "olhos em bico" -, mas também ironizando sobre os casamentos homossexuais, entre outras declarações polémicas, filmadas por um dos participantes na reunião.

Após vários dias em silêncio, Oettinger emitiu um comunicado, no qual indica ter tido tempo de "refletir" sobre o seu discurso - improvisado, sublinhou -, admitindo que poderá ter magoado algumas pessoas, pelo que pediu desculpa, pois não era essa a sua intenção, mas apenas "despertar" a assistência.

De acordo com as ONG, "neste momento crucial da UE, é mais vital que nunca" que a Comissão Europeia seja credível, "e o comissário responsável pelos recursos humanos deve dar o exemplo", para mais à luz de vários escândalos recentes envolvendo antigos comissários, razão acrescida para o Parlamento Europeu se opor à atribuição da pasta a Oettinger, que também "tem atraído críticas repetidamente pela forma como interage com os lobistas".

A carta aberta é subscrita por ONG como a Transparência Internacional, a Rede Europeia Contra o Racismo, a ILGA-Europeua e a Oxfam Internacional.