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Nova vacina contra malária apresenta “resultados promissores”

TONY KARUMBA/GETTY IMAGES

A investigação foi conduzida por um grupo de especialistas do Centre for Infectious Disease Research, em Seattle, nos EUA, e tem sido descrita como “um importante passo” no combate à malária

Helena Bento

Jornalista

Uma nova vacina contra a malária, que utiliza uma forma enfraquecida do parasita responsável pela doença, apresentou “resultados promissores” em ensaios em seres humanos, de acordo com um artigo publicado recentemente pelo jornal “Science Translational Medicine” e citado pela BBC. A investigação, conduzida por um grupo de especialistas do Centre for Infectious Disease Research, em Seattle, nos EUA, tem sido descrita como “um importante passo” no combate à doença.

Quando o parasita do paludismo (Plasmodium falciparum, prevalente na África subsariana, onde a doença é especialmente devastadora) é injetado por um mosquito num humano, dirige-se para o fígado e instala-se numa célula hepática, replicando-se milhares de vezes, naquela que é designada por fase hepática da infeção. Do fígado passa para a corrente sanguínea, invadindo os glóbulos vermelhos e multiplicando-se mais algumas vezes (fase sanguínea da infeção). Os primeiros sintomas nos seres humanos surgem nesta fase, como as febres altas, dores de cabeça e dores corporais.

A equipa de especialistas do centro de investigação em Seattle eliminou os três genes específicos do parasita responsáveis pela infeção em humanos, impedindo assim a sua multiplicação nas células do fígado. Os investigadores acreditam que ao expor o ser humano a esta forma enfraquecida do parasita, embora o seu sistema imunitário fique exposto à doença, o mesmo parasita não será capaz de completar o seu ciclo de vida.

Das dez pessoas que participaram nos ensaios clínicos nenhuma desenvolveu malária. Não foram, além disso, verificados efeitos secundários considerados graves.

Apesar de ter havido uma diminuição de casos nas últimas duas décadas - desde 2000 a mortalidade provocada pela doença diminuiu 60%, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) - a malária continua a ser uma das doenças com maior impacto na saúde mundial. As crianças com menos de cinco anos são especialmente vulneráveis.

Um relatório divulgado pela OMS em 2015 revela que o mosquito Anopheles gambiae, responsável pela transmissão da doença, ainda mata uma criança a cada dois minutos. No mesmo ano foram contabilizados 214 milhões de casos e 438 mil mortes.