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Massacre em prisão: Fação brasileira tem ligação com as FARC

Marcio Silva/AFP/GETTY

Uma das fações brasileiras envolvidas num massacre numa prisão de Manaus faziam contactos com os guerrilheiros colombianos para traficar drogas e comprar armamento

A Família do Norte (FND), uma das fações brasileiras envolvidas no motim que terminou com a morte de 56 presos em Manaus, capital do Amazonas, "tem ligações estreitas" com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), segundo fonte judicial.

A informação é do Ministério Público Federal e da Polícia Federal do Amazonas, que já investigavam as atividades deste grupo criminoso antes do massacre na cadeia.

Segundo as autoridades policiais, membros da FND tinham ligações aos guerrilheiros colombianos e faziam contactos para comercializar drogas e comprar armamento do exterior para serem usados e vendidos no Brasil.

A relação entre os dois grupos foi citada na Operação La Muralla, uma investigação criminal contra líderes da FDN, que desmantelou parte desta organização criminosa em 2015.

Documentos divulgados pelo Ministério Público baseados na troca de mensagens de texto indicam que um homem de nacionalidade peruana chamado Nelson Flores Collantes seria um dos elos da FDN com as FARC. Este suspeito terá vendido armamento pesado como metralhadoras a membros da fação brasileira.

Este não é a primeira ligação entre um grupo criminoso do Brasil e as FARC. A guerrilha colombiana é apontada pelas autoridades do país como uma das principais fornecedoras de armas e drogas aos traficantes do Brasil há muitos anos, tendo ligações históricas com o Comando Vermelho (CV), fação do país que opera fortemente no Rio de Janeiro.

No último domingo, uma rebelião supostamente causada pela disputa de poder entre as fações criminosas FND e o Primeiro Comando da Capital (PCC) aconteceu no complexo penitenciário Anísio Jobim (Compaj), deixando 56 presos mortos.

Deste total, pelo menos 30 presos foram decapitados, segundo as autoridades locais.

Esta semana também se registaram rebeliões noutras cadeias da região de Manaus.

Dezenas de presos fugiram no Instituto Penal Antonio Trindade (Ipat), no Centro de Detenção provisória Masculino (CDPM) a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas confirmou que houve uma movimentação dos detidos, mas nenhum conseguiu escapar.

Nesta cadeia não houve registo de feridos ou mortos.
Na Unidade Prisional do Puraquequara quatro detidos foram encontrados mortos também na segunda-feira, embora não tenha havido registo de nenhum motim ou fuga.