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Internacional

Julgamentos de Choi e Park arrancam na Coreia do Sul

Choi Soon-sil durante a primeira sessão do julgamento, em Seul, na Coreia do Sul

CHUNG SUNG-JUN/EPA

A novela que envolve a Presidente sul-coreana e uma amiga continua a agitar o panorama político do país. Por estes dias, o Tribunal Constitucional decide se Park Geun-hye tem ou não condições para continuar a liderar a Coreia do Sul

A Justiça sul-coreana já deu início ao julgamento de Choi Soon-sil, amiga da Presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye, ambas envolvidas num escândalo de corrupção.

Num outro julgamento a decorrer em simultâneo, o Tribunal Constitucional decide do destino de Geun-hye à frente da presidência do país, cabendo-lhe ratificar ou impedir a impugnação da Presidente. O julgamento teve início esta quinta-feira apesar da ausência da Presidente.

Segundo a agência de notícias Yonhap, o seu advogado já tinha afirmado que Park não se apresentará em tribunal “a não ser em circunstâncias excecionais”.

O afastamento de Park Geun-hye foi confirmado a 9 de dezembro por 234 dos 300 deputados sul-coreanos que votaram através de voto secreto.

Aquela que foi a primeira mulher a chegar à presidência do país, em 2012, foi incapaz de convencer os seus pares com um pedido de desculpas.

Park assumiu ter sido “descuidada”, ao permitir a intromissão de Choi Soon-sil em decisões governamentais. Choi, por seu lado, aproveitou a relação privilegiada que mantinha com a Presidente para angariar doações de empresas a fundações das quais era a única beneficiária.

Choi enfrenta acusações de abuso de poder e tentativa de fraude. As duas mulheres desculparam-se pelos seus atos mas ambas recusam ter cometido um crime.

Se os nove juízes que integram o Tribunal Constitucional decidirem que Park permitiu que uma amiga influenciasse assuntos de Estado e que isso constitui uma ofensa passível de ser punida com a impugnação de mandato, ela será afastada da presidência. A acontecer, será o primeiro chefe de Estado, democraticamente eleito na Coreia do Sul, forçado a abandonar o cargo.

“Este não é um julgamento criminal, é um julgamento constitucional em que se decidirá se a Presidente tem ou não condições para continuar a cumprir os seus deveres presidenciais”, disse à Reuters Noh Hee-bum, um advogado que trabalhou no Tribunal Constitucional entre 1998 e 2015.