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Chefe dos serviços secretos norte-americanos garante que Rússia interferiu nas eleições

KEVIN LAMARQUE / Reuters

Para James Clapper, o ataque informático russo foi “multifacetado” e tinha como objetivo “minar a confiança do público nas instituições e a confiança na informação, serviços e instituições”

O chefe dos serviços secretos dos Estados Unidos, James Clapper, disse estar “ainda mais convencido” que a Rússia lançou ataques informáticos contra o Partido Democrata durante as eleições presidenciais de 2016, contrariando o ceticismo manifestado pelo Presidente eleito, o republicano Donald Trump.

James Clapper foi ouvido numa comissão do Senado norte-americano no âmbito da investigação sobre os alegados ciberataques russos. “Há uma diferença entre cepticismo saudável e descrédito”, referiu Clapper, citado pela Reuters, que garantiu estar “ainda mais resoluto” do que a 7 de outubro, quando o Governo dirigiu a primeira acusação pública contra a Rússia.

No seu depoimento, James Clapper mencionou que a Rússia tem “claramente assumido uma posição ainda mais agressiva no domínio cibernético, aumentando as operações de espionagem informática, tornando públicos os dados recolhidos e visando as principais redes e infraestruturas”.

“Mas piratear foi apenas uma parte do processo”, revelou Clapper, explicando que a Rússia também veiculou “propaganda, desinformação e notícias falsas”. O responsável norte-americano indicou também que o motivo por detrás do ataque será revelado na próxima semana a par de mais provas sobre a interferência Russa, escreve o “The Guardian”. “Qualquer fissura que os russos encontrem na nossa tapeçaria, eles vão explorá-la”, disse Clapper, que conclui afirmando que a pirataria não alterou nenhuma contagem de votos.

John McCain, senador republicano que se mostrou altamente crítico da Rússia no Congresso, declarou que “qualquer cidadão americano deve ficar alarmado pelos ataques russos contra o país. Não há maior interesse para os Estados Unidos do que ter eleições livres e justas, sem interferência estrangeira”, mas acrescentou que o objetivo da comissão “não é questionar o resultado das eleições presidenciais”.

Donald Trump continua, no entanto, a negar que a Rússia tenha tido qualquer envolvimento nas eleições e nos ataques à campanha da sua oponente, Hillary Clinton.

Os Estados Unidos têm acusado o regime de Moscovo de estar por trás de ataques informáticos contra o Partido Democrata durante a campanha para as presidenciais norte-americanas de novembro com o objetivo de favorecer o candidato republicano Donald Trump.

O ainda Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que termina o mandato a 20 de janeiro, decretou recentemente sanções económicas contra a Rússia por causa desta alegada tentativa de ingerência nas eleições e determinou a expulsão de 35 diplomatas russos do país.