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Autoridades alemãs desvalorizaram a perigosidade do presumível autor do atentado de Berlim

FETHI BELAID/GETTY

Apesar de Anis Amri ter sido referenciado como uma potencial ameaça, as autoridades germânicas acabaram por desvalorizar as suspeitas

As autoridades alemãs reuniram-se por sete vezes para discutirem até que ponto o tunisino Anis Amri representava uma ameaça, mas acabaram por desvalorizar o risco relativamente ao homem que, ao que tudo indica, terá a 19 de dezembro conduzido o camião para dentro do mercado de Natal em Berlim causando 12 mortos e 50 feridos.

A informação foi divulgada esta quinta-feira pelas autoridades federais da Renânia do Norte/Vestfália.

Amri entrou na Alemanha no versão de 2015 e começou a ser monitorizado pelas autoridades logo em dezembro desse ano. Em fevereiro de 2016 foi considerado uma potencial ameaça. Em setembro e outubro, a polícia recebeu indicações de que o suspeito contactara simpatizantes do autodenominado Estado Islâmico (Daesh) em Berlim.

“Ele agiu de modo conspirativo e usou diversas identidades”, afirmou Dieter Schuermann, responsável da unidade polícia criminal da Renânia do Norte/Vestfália, em declarações ao parlamento daquele Estado, o mais populoso da Alemanha.

Apesar de todos esses indícios, as autoridades acabaram por chegar a consenso que os dados eram demasiado vagos para justificarem a sua detenção.

Após o atentado, que veio a ser reivindicado pelo Daesh, o tunisino acabaria por ser abatido a tiro por uma patrulha da Polícia de Milão, durante uma operação de rotina de controlo, a 23 de dezembro.

O ministro regional do Interior, Ralf Jäger, rejeitou as críticas que têm recaído sobre a atuação das diferentes polícias e dos serviços de informações, defendendo o trabalho desenvolvido e os mecanismos legais utilizados para vigiar o suspeito.

A investigação em torno do atentado tem também tentado determinar a eventual existência de cúmplices.

Esta semana foi detido um outro tunisino em Berlim. Os procuradores indicam que o individuo jantou com Amri, num restaurante da capital na véspera do atentado, e que os dois tiveram “uma acesa discussão”.