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Ator persegue o seu difamador mesmo além da morte

Slaven Vlasic/GETTY

James Woods não perdoa ao homem que o acusou de snifar cocaína. “Aprendam isto. Difamem-me e eu processo-vos”, diz. “Se morrerem, perseguir-vos-ei nas entranhas do inferno. Percebem?”

Luís M. Faria

Jornalista

O ator norte-americano James Woods tornou-se conhecido pelos seus papéis de mau em filmes como "Era Uma Vez na América" e "Killer". Também é um dos poucos atores de Hollywood que se assume publicamente como conservador, atacando por vezes com grande virulência figuras como Bill Clinton e Barack Obama nos media sociais. Foi justamente esse seu lado que agora lhe deu oportunidade de mostrar o seu lado negro na vida real, ao perseguir mesmo para além da morte uma pessoa que o atacou.

No meio de uma polémica politica, alguém que se identificava como Abe List referiu-se a ele como "o viciado em cocaína James Woods, sempre a snifar". Chamou-lhe igualmente outros nomes feios e considerou-o ridículo. Woods, que se vangloria de ter uma vida "decente", processou o anónimo, exigindo 10 milhões de dólares (9,58 milhões de euros).

A defesa argumentou que se tratava de um mero insulto político, como tal merecedor de proteção constitucional. Para mais, fora publicado no Twitter, onde existe uma conhecida cultura de hipérbole política. "O discurso em questão parece ser opinião e hipérbole, não uma declaração de factos", alegaram os advogados. "Além disso, o alvo do discurso é uma figura pública que se envolve intencionalmente em controvérsias públicas".

Não só se envolve como o faz com insultos. Não é raro Woods chamar às pessoas com quem discute termos como lixo, palhaços, etc. E muitas das suas afirmações podem ser consideradas difamatórias. A um interlocutor escreveu, por exemplo: "Pousa o teu cachimbo de crack". A outro pediu que não gastasse a sua "preciosa verba para crack a ser esclarecido". Conforme alguém da defesa notou, ele reclama o direito de fazer aos outros aquilo que não aceita que lhe façam.

Apesar de tudo isso, o tribunal deu razão a Woods na admissibilidade do processo. "O uso por AL de uma caracterização (viciado em cocaína) seguida por um nome próprio (James Woods) é uma estrutura linguística bem estabelecida usada largamente para caracterizar pessoas", explicou o juiz. "Fica claro que qualquer leitor da falsa afirmação de AL deve vê-la como uma declaração de factos". O processo seguiu em frente.

Woods congratulou-se, e mais ainda quando soube que o recurso apresentado pelo réu tinha sido retirado. "O nojo que me difamou acaba de desistir do seu recurso", escreveu no Twitter. Ao que uma advogada de defesa lhe respondeu: "Olá James. Como certamente sabe, o meu cliente morreu. Tenha um bom dia e continue cheio de classe!"

Woods não tinha conhecimento do óbito (do qual aliás continua a dizer que tem dúvidas), mas não se deixou intimidar. Manteve o processo contra a herança do falecido, exigindo que este seja identificado.

"Aprendam isto. Difamem-me e eu processo-vos", disse. "Se morrerem, perseguir-vos-ei nas entranhas do Inferno. Percebem?". Também disse esperar que o homem tivesse morrido "a gritar o meu nome"

A defesa resiste a identificar o réu, temendo a sanha persecutória do ator. "O sr. Woods quer fazer exatamente o que ele diz que quer fazer: assediar e vilificar publicamente um homem morto e a sua família", escreveu. Mas o acusador mantém-se firme. E avisa:
"Al, e qualquer outro que use os social media para propagar mentiras e fazer mal, tomem nota. Não são imunes à lei".