Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

MNE: Portugal tem “vocação para porta-voz” dos países mais pequenos

NUNO FOX/LUSA

O ano que agora começa é “de muitas ameaças, muitos riscos, e incertezas”. Augusto Santos Silva alerta para a “arrogância e enclausuramento das elites eurocráticas” quando querem “transformar referendos em instrumentos de jogo político circunstancial”

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, não escolheu palavras suaves para o discurso de abertura da edição deste ano do “Seminário Diplomático” que amanhã trará a Lisboa o presidente da Comissão Europeia, Jean- Claude Jüncker. O responsável político pela política externa portuguesa, disse que 2017 vai ser “um ano de muitas ameaças, muitos riscos e incertezas. A maior ameaça é o terrorismo internacional, que quer destruir os nossos valores e modos de vida”.

Entre as várias crises internas que a União Europeia enfrenta, estão a “falta de solidariedade necessária para construir uma resposta europeia ao problema do acolhimento de refugiados, e de regulação das migrações”. O “afastamento dos cidadãos” das instituições e do projeto europeu é outro risco, bem como a “ascensão do nacionalismo e das diversas formas de populismo”, a que não serão alheias as várias falhas da EU na gestão das “políticas de crescimento económico e emprego” e na implementação da união monetária.

Para Santos Silva, é inútil fazer depender o sucesso do projeto europeu dos resultados da “sucessão de atos eleitorais” que vão realizar-se este ano no velho continente: “A tentação de olhar para as eleições como supostos obstáculos ao processo de integração ou de transformar referendos em instrumentos de jogo político circunstancial é um dos sinais mais evidentes de uma certa arrogância e enclausuramento das elites eurocráticas e um dos mais funestos fatores de afastamento dos cidadãos face ao projeto europeu”.

A eleição de Guterres traz-nos “responsabilidades acrescidas” na ONU

O titular da pasta dos Negócios Estrangeiros elegeu a ONU, a União Europeia, e a internacionalização [da economia e da língua portuguesa], como os três eixos centrais da política externa nacional nos próximos 12 meses. Ter como secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, “um português distinto, traz responsabilidades acrescidas à participação de Portugal na maior importante das organizações multilaterais”.

“Quanto mais incerta é a situação mundial, mais precisamos de multilateralismo”. O facto de Portugal ser uma periferia na centralidade europeia, confere-nos uma “vocação para porta-voz dos anseios e interesses de países de micro, pequena e média dimensão”, a que não é alheio o papel do português como “língua global, que une países situados em todos os continentes, e se projeta além deles como língua de comunicação e de cultura”.

Santos Silva lembrou a aposta no “desenvolvimento de conteúdos digitais para o ensino de português no estrangeiro”, e a necessidade de apostar na promoção da “diplomacia cultural e da diplomacia científica”.