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Está tudo bem! O portátil tinha software malicioso mas a luz não vai faltar na América

Getty

O que era verdade num dia foi desmentido no outro. Vamos aos factos

É como dizem os italianos: “Se non è vero, è ben trovato”. Ou, se quiser, se não é verdade, é bem achado”. Poucos provérbios resumirão tão bem a história que se segue. Tudo começou no pós-eleições presidenciais norte-americanas, com a administração Obama a dar gás à investigação a uma alegada interferência russa que teria contribuído para a vitória do republicano Donald Trump.

E na quinta-feira passada, dia 29, o ainda Presidente anunciou, tal como tinha antecipado o reputadíssimo “The Washington Post”, a expulsão de 35 agentes dos serviços secretos russos, considerados persona non grata, e o encerramento de dois edifícios, em Nova Iorque e em Maryland, que os Estados Unidos garantem ter sido utilizados pelos serviços de informações russos FSB e GRU. E Obama deu-lhes 72 horas para deixarem a América.

Estariam os russos a fazer as malas quando o jornal do caso Watergate (que levou à demissão do Presidente Nixon em 1974) revelou ao mundo que, afinal, havia outra. Pelos vistos, os russos não só teriam alegadamente manipulado as eleições como tinham atacado uma central elétrica. Fonte da notícia: “U.S. officials” (fonte oficial norte-americana).

Pelos vistos, a fonte que falou ao “The Washington Post” sob anonimato, por não estar autorizada a revelar informação comprometedora para a segurança nacional (a eventual vulnerabilidade da rede elétrica norte-americana), não estava devidamente informada.

É verdade que existia um portátil no Burlington Electric Department, em Vermont, que acedeu a um endereço IP suspeito quando a pessoa que o estava a usar via a sua conta de email no Yahoo. Esse endereço já tinha sido referenciado no âmbito da operação “Grizzly Steppe”, a tal em que os serviços secretos dos Estados Unidos investigaram o roubo de milhares de emails e anexos dos democratas em plena campanha para a Casa Branca. Também é verdade que no dito portátil estava instalado um software malicioso – o “Neutrino” – que, segundo o site Malwarebytes, poderá ser usado por “não-peritos em segurança informática” e “pessoas sem conhecimentos de programação” para levarem a cabo “atividades ilegais”.

Revistos os factos, não é menos verdade (esta terça-feira) que o conceituado jornal norte-americano reconheceu que o dito portátil não terá sido usado num ataque russo à rede elétrica dos EUA. E que, em bom rigo,r nem houve qualquer ataque.

Afinal, um pouco por todos os Estados Unidos muitos computadores acederam ao endereço de IP suspeito sem que durante estas ligações tenham sido desferidos ataques. No caso do Burlington Electric Department, os investigadores garantem ainda que o “tráfego [com o tal IP] terá sido benigno”. Um responsável por esta central já tinha assegurado aos jornalistas do “The Washington Post” na semana passada que a “rede elétrica não estava em perigo” e que o portátil em causa foi “identificado” e “isolado” pelo sistema de segurança informático, e que as autoridades federais tinham sido alertadas. Mas a tal fonte anónima falava em ataque e “se non è vero...”