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As emoções, revelações e reconsiderações de Billie, a menina assombrada mas amada por Leia

Ethan Miller/ Getty Images

Perdeu demasiado em tão pouco tempo - a mãe e a avó desapareceram-lhe instantaneamente, surpreendentemente. Viveu sempre com a sombra de Leia, a personagem que imortalizou a mãe, a personagem que os amigos adoravam, a personagem que ela nem sempre compreendeu. E agora que a morte lhe levou as referências, aprendeu e escreveu que o amor não tem fim. As confissões de Billie Fisher, filha de Carrie Lourd e neta de Debbie Reynolds, que morreram em dezembro um dia a seguir à outra

Debbie, Carrie e Billie. Avó, mãe e filha. Eram o exemplo de três gerações diferentes em Hollywood. A primeira viveu os anos dourados do cinema norte-americano, em que os musicais moviam milhares de pessoas e de dólares. A segunda foi provavelmente a primeira heroína femininista mesmo antes de se falar em feminismo. E da terceira ainda pouco sabemos - está a dar os primeiros passos num mundo em que a sua família já deixou marca.

Billie Lourd ainda estava a recuperar da perda da mãe, Carrie Fisher, quando a avó, Debbie Reynolds, foi levada de urgência para o hospital. Poucas horas depois, morreu também. “Não há palavras que cheguem para explicar as saudades que tenho da minha Abadaba e da minha e única Momby”, escreveu a atriz de 24 anos, numa pequena homenagem no Instagram “às mulheres da sua vida”.

Instagram

Também o irmão de Carrie Fisher e filho de Debbie Reynols, Todd Fisher, agradeceu todo o apoio recebido nestes tempos difíceis.

As preocupações da família e atenção dos media viram-se agora para Billie Lourd. “A filha da Carrie tem apenas 24 anos. Perder as duas é simplesmente horrível. Ela tem os genes delas e ninguém consegue imaginar pelo que está a passar. Eu não consigo imaginar-me a fazer isto tudo aos 24 anos e já tenho 59”, disse Todd Fisher, citado pela “E!News”.

Com avó, mantinha uma relação próxima, chegando mesmo em tempos a partilhar casa - Billie morava no piso de cima e Debbie no rés-do chão. Na mãe via um modelo a seguir, quer como mulher quer como profissional: “nunca serei tão fixe como ela”, disse um dia.

“O objetivo não era que me tornasse numa mulher forte, mas numa pessoa forte”

Ao contrário do que se possa pensar, Billie Catherine Lourd não achava grande graça a “Star Wars”. O sucesso e a histeria em torno da Princesa Leia deixavam-na um pouco envergonhada.

“Disse muitas vezes à minha mãe que aquilo era muito barulhento, mas agora estou ligeiramente obcecada. Enquanto crescia, toda a gente me dizia que a minha mãe era um máximo e eu, tal como a maioria dos miúdos, vi-a apenas como minha mãe e aquilo era um bocado embaraçoso. Agora, quando vejo os filmes dela, percebo totalmente”, disse em entrevista ao blogue “The New Potato”.

Nascida no verão de 1992, Billie foi criada sem género. Apesar de ser mulher, o seu nome próprio é, tradicionalmente, masculino. Foi ideia da mãe, que queria que a filha olhasse para os outros como pessoas, independentemente de serem homens ou mulheres.

“Ensinou-me a ser sempre autêntica, amável e confiante em mim mesma. Educou-me a não ver os homens e as mulheres de forma diferente. O objetivo não era que me tornasse uma mulher forte, mas numa pessoa forte”, contou Billie numa entrevista à “Teen Vogue”.

Jason Merritt/ Getty Images

A linhagem do mundo glamoroso de Hollywood não corre apenas pelo lado materno da família. Também o pai, Bryan Lourd, é um conhecido agente norte-americano.

Apesar da forte presença do mundo do espetáculo, foi criada bem longe dele. “Não sejas atriz, tira antes um curso superior”, ouviu Billie muitas vezes dos que mais amava. “Tem sido o meu sonho secreto [representar]. Fui para um campo de artes performativas ter aulas às escondidas e consegui o papel principal no musical. O meu pai ficou tão surpreendido”, revelou à “Interview Magazine”.

Formou-se em psicologia e religião na Universidade de Nova Iorque, mas a paixão pela representação falou mais alto. Aos 22 anos, conseguiu o primeiro papel. A pedido de Carrie Fisher, juntou-se ao elenco de “Star Wars – O Despertar da força”, em que interpretou Lieutenant Connix. Pouco tempo depois foi chamada como atriz permanente da série “Scream Queens”, em que a sua personagem usa constantemente um tapa-orelhas, uma referência ao famoso penteado da Princesa Leia.

Toda a vida, Billie Lourd carregou nos ombros o peso de ser filha da Princesa Leia e neta de Kathy Selden (“Serenata à Chuva”). Agora, caem-lhe as lágrimas por ser filha de Carrie Fisher e neta de Debbie Reynols. “O amor não tem fim”, despediu-se Billie Lourd.

“A minha vida teria sido menos interessante se ela não tivesse sido a amiga que foi”

Ben A. Pruchnie/ Getty Images

Quando soube que iria trabalhar com uma jovem de 19 anos, a primeira coisa que passou pela cabeça de Mark Hamill,que entretanto já se pronunciou sobre a morte de Carrie Fisher, foi que seria “como lidar com uma miúda do secundário”. Mas o ator, na altura com 24 anos, não poderia ter ficado mais surpreendido. Afinal, encontrou alguém “instantaneamente cativante, divertida e sincera”. Foram irmãos gémeos no grande ecrã. Fora dele, grandes amigos. Quase família.

“Quando estávamos nas boas graças dela, era a pessoa mais divertida no planeta. Era capaz de nos fazer sentir a pessoa mais importante da vida dela. E depois isto podia acontecer exatamente no sentido oposto, em que estávamos furiosos um com o outro e durante semanas não nos falávamos. Mas isso faz parte do que é uma relação completa. Ela exigia manutenção constante. Mas a minha vida teria sido muito mais parda e menos interessante se ela não tivesse sido a amiga que foi”, escreveu Mark Hamill numa coluna do “Hollywood Reporter”.

Nenhum deles sabia o impacto que “Star Wars” teria. Juntos viveram o sucesso da saga e das suas personagens. Quando estavam a gravar, Mark fazia de tudo para ter um sorriso de Carrie.

“Fazê-la rir era sempre uma honra. Uma vez, à hora de almoço, ela disse-me para vestir o macacão da Princesa Leia. Vesti-o e estava tão junto que eu parecias uma cantora em Vegas”, recordou. “Não havia limites para a conseguir fazer rir. Adorava-a e adorava fazê-la rir. Eu fazia coisas loucas e ela fazia-me coisas divertidas.”

Quando voltaram a gravar juntos, para o “Despertar da Força”, foi como se nada tivesse mudado. Continuavam a amar-se, a criticar-se e a rir. “Estou agradecido por termos continuado amigos e de termos tido este segundo ato com o novo filme.”