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Trump rejeita qualquer transferência de detidos de Guantánamo

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Atualmente, 59 presos permanecem na prisão militar norte-americana localizada no sul da ilha de Cuba

O Presidente norte-americano eleito, Donald Trump, reforçou esta terça-feira a sua oposição contra qualquer nova transferência de detidos de Guantánamo para outros países, advertindo que os presos desta controversa prisão militar são “perigosos”.

Esta tomada de posição de Trump surge depois do diário “The New York Times” ter noticiado que a administração de Barack Obama irá anunciar brevemente (antes de cessar funções) a transferência de cerca de 20 prisioneiros da prisão militar de Guantánamo.

“Não devem existir mais transferências de Gitmo [designação como é conhecido o centro militar de detenção americano]. São pessoas extremamente perigosas e não devem ter a oportunidade de voltar ao campo de batalha”, escreveu Donald Trump na sua conta oficial na rede social Twitter.

Durante a campanha presidencial, Donald Trump (que tomará posse a 20 de janeiro) manifestou vontade de manter aberta a prisão militar e "ocupá-la com criminosos", mas nunca apresentou um projeto detalhado.

Em meados de dezembro, o jornal “The New York Times” escreveu que a Casa Branca tinha informado o Congresso norte-americano que pretendia transferir em breve 17 a 18 detidos para vários países (Itália, Omã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos).

Atualmente, 59 presos permanecem na prisão militar norte-americana de Guantánamo, localizada no sul da ilha de Cuba e que foi criada após os atentados de 11 de setembro de 2001 para acolher suspeitos de terrorismo.

O encerramento de Guantánamo foi uma das promessas da campanha presidencial de Obama e da sua administração, desde que chegou ao poder em 2009, mas o processo de esvaziamento da prisão militar foi marcado por várias perturbações.

A oposição do Congresso norte-americano e a relutância dos países em acolherem suspeitos de terrorismo foram apontados como os principais obstáculos ao cumprimento da promessa de Obama.

Mesmo assim, Obama conseguiu reduzir significativamente o número de detidos. Quando chegou à Casa Branca, a prisão de Guantánamo tinha 242 prisioneiros.

Em fevereiro passado, Barack Obama apresentou um plano que identificava 13 locais em solo americano que poderiam acolher os presos de Guantánamo.

Na mesma altura, o ainda Presidente afirmou que a prisão militar de Guantánamo manchou a imagem dos Estados Unidos no exterior e enfraqueceu a segurança nacional.

A prisão, que recebeu os primeiros detidos há 14 anos (em 2002), chegou a contar com cerca de 700 prisioneiros e tornou-se sinónimo, a nível mundial, de atos de tortura, de detenções indefinidas e sem julgamento. Os fatos de macaco cor de laranja dos detidos é outra imagem associada a Guantánamo.