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Terá afinal sido um incêndio o responsável pelo afundamento do Titanic?

AFP/GETTY

Um novo dado indica que um incidente ocorrido ainda durante a construção do “navio que não afundava” poderá ter sido determinante para o o seu trágico fim, na viagem inaugural, há quase 105 anos

Até agora, o choque contra um iceberg era apontado como o principal fator que sentenciou o afundamento do navio Titanic. Num novo documentário, intitulado “Titanic: The New Evidence”, exibido no Channel 4, no Reino Unido, no primeiro dia do ano, o jornalista irlandês Senan Molony, que estuda o Titanic há mais de 30 anos, sugere que um incêndio quando o navio estava ainda em construção no estaleiro de Belfast, na Irlanda, poderá ter fragilizado o casco da embarcação, reduzindo a sua resistência “até cerca de 75%”.

O “navio que não afundava” teve o seu trágico fim a 14 de abril de 1912, quando realizava a viagem inaugural de Southampton, na Inglaterra para Nova Iorque. No naufrágio, morreram mais de 1 500 homens, mulheres e crianças.

Um álbum de fotografias inéditas foi descoberto por um descendente do diretor da companhia responsável pela construção do Titanic, Harland and Wolff, com sede em Belfast, e há cerca de quatro anos foi adquirido por um colaborador de Molony. O álbum continha várias fotografias que nunca tinham sido publicadas sobre a construção do navio e os preparativos para a sua primeira viagem.

Quando Molony e o seu colaborador olharam com atenção para as imagens, ficaram chocados ao descobrir uma marca negra de nove metros no lado dianteiro do casco, perto do local onde o navio embateu contra o iceberg. Uma análise feita mais tarde por engenheiros do Imperial College de Londres revelou que a marca foi muito provavelmente causada por um incêndio num depósito de carvão do navio.

Numa entrevista, Richard de Kerbrech, um engenheiro marítimo que escreveu dois livros sobre o desastre do Titanic, explicou que o incêndio danificou uma parede de aço dentro do casco do navio, que ficou mais vulnerável e fez com que o impacto contra o iceberg provocasse mais estragos no navio. “Esta descoberta é uma revelação que pode mudar o nosso conhecimento sobre a história”, disse Kerbrech, citado pelo jornal americano “The New York Times”.

Um inquérito britânico oficial, efetuado em 1912, havia mencionado o incêndio, mas o mesmo foi posteriormente abafado. Também Molony sugere que os proprietários do navio tinham conhecimento do incêndio, mas optaram por realizar a viagem na mesma, pois atrasar a partida do navio podia afigurar-se como um desastre financeiro. “O fogo era conhecido, mas foi abafado. O navio nunca deveria ter sido posto no mar”, refere o jornalista, citado pelo jornal americano.

No dia da partida, para esconder as marcas do fogo, o navio terá sido atracado de modo a que estas marcas estivessem viradas para o mar, para que os passageiros não as pudessem ver. “É uma combinação tempestuosa de vários factores: fogo, gelo e negligência criminal”, acrescenta Molony.

Mas os novos dados não chegam para convencer toda a gente. David Hill, ex-secretário honorário da “British Titanic Society”, que estuda a causa do naufrágio desde a década de 1950, argumentou que, embora os danos causados ​​pelo fogo às paredes de aço que protegem o casco do navio possam ter acelerado seu desaparecimento, o fogo não foi o fator decisivo.

“O incêndio pode ter acelerado o afundamento do navio, porém, na minha opinião, o Titanic teria afundado de qualquer maneira visto que, o embate contra o iceberg criou uma linha de aproximadamente 91 metros de comprimento no casco, que incluiu muitas perfurações e cortes e que abriu muitos compartimentos para o mar, de modo que o peso da água empurrou o navio para baixo”, explicou David Hill.