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Internacional

Polícia de Colónia admite controle de africanos na passagem de ano

Maja Hitij

A operação ocorreu após diversas mulheres terem sido vítimas de assédios atribuídos a indivíduos do norte de África e do Médio Oriente na anterior passagem de ano

“Centenas de nafri (abreviatura utilizada para norte africanos) controlados na principal estação de comboios”. A mensagem publicada pela polícia de Colónia no Twitter surgiu como uma admissão do controle discriminado efetuado nesta passagem de ano, gerando diversas criticas.

Em sequência dos casos de inúmeras mulheres que foram alvo de assédios na anterior passagem de ano, em ataques atribuídos a homens do norte de África e do Médio Oriente, foi destacado um reforço de mais 3 mil polícias para as celebrações da entrada em 2017. Os polícias controlaram 650 pessoas, sobretudo homens de “aparência árabe”.

“Centenas de pessoas foram cercadas pela polícia ou submetidas a controle de documentos de identificação, apenas devido à sua real ou suposta origem africana”, afirmou esta segunda-feira em Berlim Alexander Bosch, especialista da Amnistia Internacional.

Bosch frisou que, na sua defesa da segurança do público, a polícia de Colónia falhou na proteção das pessoas contra a discriminação. “O estabelecimento de perfis raciais (para controle policial) é uma violação básica dos direitos humanos e não é uma medida aceitável para um estado de direito estabelecer a sua segurança pública”, afirmou.

Embora lamentando o uso do termo “nafri”, Jürgen Mathies, responsável da polícia de Colónia, defendeu a atuação das suas forças, alegando que “não foi a aparência, mas o comportamento dos jovens” que levou a que fossem controlados.

“Eu rejeito as críticas negativas, Nós decidimos tomar estas medidas com base na informação que tínhamos. Nós observámos a situação. Juntamente com a polícia estatal federal, nós vimos um grupo de homens muito agressivos vindos do nada”, afirmou.

“As nossas experiências, da anterior passagem de ano e as anteriores operações efetuadas, mostraram que nós precisávamos de controlar aquelas pessoas. Eles não eram homens idosos de cabelo grisalho nem jovens loiras”, acrescentou.