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Internacional

Ivan Rogers deixa cargo de embaixador britânico na União Europeia

FRANCOIS LENOIR/ REUTERS

Rogers era tido como uma das figuras do executivo britânico mais competente para conseguir um acordo favorável ao Reino Unido nas negociações do Brexit

O embaixador britânico na União Europeia (UE), Ivan Rogers, demitiu-se de forma abrupta a menos de três meses do início das negociações do Brexit, sem especificar as razões que o motivaram a abandonar o cargo. No entanto, o Governo britânico referiu que Rogers anunciou a saída a tempo de ser possível arranjar um sucessor.

“Ivan Rogers demitiu-se alguns meses antes” da função que estava previsto ocupar até novembro deste ano, referiu uma porta-voz do Governo britânico. “Estamos gratos pelo seu trabalho e pelo compromisso que teve durante os últimos três anos”, declarou ainda.

O embaixador, que havia sido apontado para o cargo por David Cameron em 2013, esperava-se que tivesse um papel-chave nas negociações da saída do Reino Unido da União Europeia, por ser um dos melhores especialistas britânicos em questões relacionadas com a Europa, escreve a Reuters.

A saída de Rogers "enfraquece a possibilidade de Theresa May [primeira-ministra britânica] conseguir um bom acordo com a UE”, referiu Charles Grant, diretor do Centro para a Reforma Europeia. “Ivan Rogers era um das poucas pessoas à frente do Governo britânico que percebia a UE”, referiu ainda, citado pela agência noticiosa.

No mês passado, a BBC havia noticiado que Rogers tinha dito em privado aos ministros que um acordo comercial entre o Reino Unido e a UE poderia demorar 10 anos até estar finalizado, ficando ainda sujeito a ser chumbado nos parlamentos nacionais dos restantes 27 Estados-membros. Vários ministros criticaram estas declarações, garantindo que esse acordo poderia ser alcançado dentro de dois anos.

De acordo com o Financial Times, citado pela Lusa, as relações do embaixador com May vinham a deteriorar-se nos últimos meses.