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Internacional

Empresa química quer explorar a floresta de Robin dos Bosques

A INEOS conseguiu autorização para explorar parte do terreno e do subsolo de Sherwood. Segundo uma organização ambiental, a intervenção será a cerca de 200 metros de uma árvore com mais de mil anos

Sherwood é conhecido por ser casa do mítico herói britânico, Robin dos Bosques. Era naquela floresta em Nottingham que o ladrão que roubava aos ricos para dar aos pobres se escondia com o seu gangue. É certo que tudo isto é uma lenda, mas os 423.2 hectares de Sherwood são bem reais, bem como reserva natural do Reino Unido. Agora estão em risco, alerta a uma associação ambientalista.

“Será que não há um só lugar que seja sagrado para a fratura hidráulica? Estamos perante uma ameaça contra o nosso legado cultural e contra a proteção de espaços verdes. Trata-se de uma ação que vai contra os esforços para combater as alterações climáticas”, referiu Guy Shrubsole, porta-voz da Friends of the Earth, uma associação de defesa do ambiente, citado pelo “El Mundo”.

Esta oposição surge após a INEOS, uma empresa química, ter obtido autorização para a extração de gás de xisto através da perfuração horizontal, com fratura hidráulica de rochas.

A organização já tem uma petição disponível para fazer chegar ao ministro responsável pela pasta do Ambiente, Andrea Leadsom. O objetivo é que as licenças para a exploração sejam negadas, alegando perigo de atividade sísmica e os fatores ambientais.

“Não consigo imaginar um local mais icónico para os britânicos”, disse Guy Shrubsole, citado pelo “The Guardian”. “Achávamos que tinham aprendido com os erros de outar empresas de fratura hidráulica”, acrescentou.

Segundo acrescenta o jornal britânico “The Guardian”, a Friends of the Earth teve acesso a documentos, até aqui estavam sob domínio privado, que prevê a exploração a apenas 200 metros do Grande Carvalho, uma árvore com mil anos e que, segundo a lenda, servia de abrigo a Robin dos Bosques.

“Potencialmente, aqui no Reino Unido temos uma grande reserva de gás debaixo dos pés. Seria simplesmente de loucos não explorar este recurso natural”, justificou Tom Pickering, diretor de operações da INEOS, citado pelo “The Guardian”.

A empresa multinacional, que há um mês relocalizou a sua sede da Suíça para o Reino Unido, não esclareceu para quando o arranque da exploração e assegurou que será tomado em conta o valor ambiental de alguns pontos da floresta.

O Governo liderado por Theresa May já concedeu 159 licenças para perfurar o solo britânico em busca de gás e petróleo