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“Quando ele me alvejou, eu não me mexi. Eu deixei-o apenas disparar contra mim”

YASIN AKGUL/GETTY

Relato de um sobrevivente do massacre de ano novo em discoteca turca

“Quando ele me alvejou, eu não me mexi. Eu deixei-o apenas disparar contra mim”, relatou à “NBC News” Jake Raak, um norte-americano de 35 anos que é uma das 40 pessoas que ficaram feridas no ataque do atirador que na noite de passagem de ano matou 39 pessoas na discoteca de Istambul “Reina”.

“Alguém me disse que havia tiros e de início eu não acreditei, até que vi o atirador a disparar contra o sítio todo”, recorda Raak. “Eu viu-o a vir e ele a disparar contra todos nós (…) Quando fui atingido, eu já estava no chão. Ele estava a disparar contra pessoas que já tinha atingido”, acrescentou.

Também o libanês Francois al-Asmar recorda que o atirador disparou contra o chão e que sobreviveu porque de início estava apenas sentado e porque depois de atingido também fingiu estar morto.

“Nós ouvimos uma metralhadora. Nós já estávamos no chão desde o primeiro tiro. Eu estava escondido atrás de uma mesa, sentado no chão, mas o meu ombro devia estar visível. Ele estava disparar contra nós no chão. Ele não disparava para o ar, mas para o chão onde nós já estávamos deitados. Se eu estivesse com todo o meu corpo no chão, teria sido atingido por todo o corpo, mas eu estava sentado (…) Quando fui atingido tive de me baixar. Fingi estar morto para ele não continuar a alvejar-me.”

Ayia Ihsan Abd al-Hay, uma dentista israelita, ouviu o homem gritar “Allahu akbar” (“Deus é grande”) após ter começado a disparar.

“De inicio nós pensámos que tinha começado uma luta”, relatou ao canal israelita Canal 2 Notícias. Depois “alguém gritou-nos para irmos para o chão... eu fiquei em baixo, havia pessoas mortas à minha frente e atrás de mim. Eu rastejei até à cozinha”, acrescentou, referindo que os disparos prosseguiram e que se mantiveram em silêncio na cozinha, de modo a não serem encontrados. Pior sorte teve Lian Zaher Nasser, uma árabe israelita de 19 anos que era sua assistente no seu consultório e que foi morta pelo atirador.

Entretanto, esta segunda-feira a polícia turca deteve em Instambul oito pessoas alegadamente implicadas no ataque terrorista reivindicado pelo Daesh, numa operação que ainda se encontra a decorrer, segundo referiu o jornal turco “Hurriyet”.

O atirador, cuja identidade não é conhecida, continua a monte. Os serviços de informação turcos indicaram existirem semelhanças com o atentado levado a cabo no aeroporto Ataturk, atribuído ao Daesh, que vitimou 45 pessoas a 28 de junho de 2016.

A polícia centrou a investigação em células do Daesh provenientes do Uzbequistão e Quirguistão, mas também em ramificações turcas do grupo extremista.