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Ataque a discoteca em Istambul mata 39 pessoas

SEDAT SUNA/EPA

Pelo menos um homem, que está em fuga, entrou no clube Reina na noite da passagem de ano, e começou a disparar indiscriminadamente. Nos mortos já confirmados, há agora 24 estrangeiros de muitas nacionalidades, e contam-se ainda 69 feridos. Forças policiais já lançaram uma caça ao homem

Um ataque a uma discoteca em Istambul, na Turquia, fez, este sábado à noite, pelo menos 39 mortos, dos quais 24 estrangeiros de muitas nacionalidades diferentes, e pelo menos mais 69 feridos. Os números das vítimas estão em constante atualização.

O incidente ocorreu por volta da 1h00 da manhã (22h00 em Portugal), quando um homem vestido de Pai Natal entrou na discoteca Reina, uma das mais conhecidas da cidade, e começou a disparar indiscriminadamente sobre as pessoas. Antes, logo ao entrar, matou um polícia e um civil.

“Um terrorista com uma arma de longo alcance levou a cabo este brutal e selvagem ataque disparando balas sobre pessoas inocentes que estavam lá [na discoteca Reina] unicamente para celebrar o Ano Novo e se divertirem”, disse o governador de Istambul, Vasip Sahin, citado pela Reuters.

Sahin está, portanto, a considerar o tiroteio como um “ataque terrorista” - que se assemelha muito ao ataque à sala de espéctaculos francesa Bataclan, em novembro de 2015, onde morreram 89 pessoas depois de vários atacantes começarem a disparar aleatoriamente sobre as pessoas que assistiam a um concerto. Para já, o ataque não foi ainda reivindicado por nenhum grupo terrorista.

TOLGA BOZOGLU/EPA

No interior do clube - mesmo em cima do estreito de Bósforo - estariam, segundo vários meios de comunicação, entre 500 a 600 pessoas, e muitas delas saltaram para a água para fugir dos tiros. A polícia, que de acordo com vários meios de comunicação internacionais terá chegado rapidamente ao local, além de socorrer as pessoas dentro discoteca esteve também a retirar pessoas da água.

Os primeiros relatórios davam conta de dois atiradores vestidos de Pai Natal, mas o "The Guardian" avança, citando fontes oficiais do governo turco, que o ataque foi levado a cabo por apenas um homem.

Além disso, o primeiro-ministro turco, Binali Yldirim, desmentiu estar tarde que o atirador estivesse vestido de Pai Natal e informou ainda que ele deixou a arma no local quando fugiu.

Também ao contrário das primeiras informações oficiais que davam conta de que o terrorista já teria sido abatido, o ministro do Interior, Süleyman Soylu, avançou a meio da manhã que o suspeito fugiu e não foi ainda apanhado, tendo sido lançada uma caça ao homem.

"As nossas forças de segurança iniciaram as operações necessárias. Se Deus quiser ele será apanhado num curto espaço de tempo", disse.

Já à tarde, o primeiro-ministro adiantou que a polícia tem "algumas pistas sobre a identidade do atacante", mas escusou-se a revelar mais detalhes.

Aliás, esta noite, a BBC noticiou que o governo turco tinha imposto um black out temporário aos media por questões de ordem pública e de segurança nacional. Ou seja, o governo quer evitar que sejam dadas informações sobre as vítimas, a intervenção da polícia e os suspeitos, por receio que estas sejam úteis para os terroristas.

MURAT ERGIN/IHLAS NEWS AGENCY (EPA)

Mortos de várias nacionalidades

As vítimas ainda não foram todas identificadas, mas sabe-se, até agora, que há 24 estrangeiros mortos e que são de várias nacionalidades, mas principalmente de países árabes. Assim, há vítimas da Arábia Saudita, Iraque, Líbano, Tunísia, Índia, Kuwait, Síria, Israel e ainda um cidadão belga, mas que nasceu na Turquia, e uma outra com nacionalidade canadiana e iraquiana.

A Associated Press está noticiar que pode existir um francês entre as vítimas mortais. Não há indicação de nenhum português envolvido, segundo fontes oficiais portuguesas.

Reações de apoio chegam pelo Twitter...

O Presidente da Turquia, Tayyip Erdoğan, pronunciou-se de imediato sobre o ataque, referindo que sentia uma “tristeza profunda” e que estava a ser constantemente atualizado da investigação e do número de vítimas pelo primeiro ministro Binali Yildrim.

E o mesmo fez a Alta-representante para a Política Externa da União Europeia (UE), Federica Mogherini, na sua conta do Twitter. “Continuaremos a trabalhar para prevenir estas tragédias”, disse. “Os nossos pensamentos estão com as vítimas e os seus entes queridos”, acrescentou.

Também no Twitter, como já começa a ser hábito nestas circunstâncias, o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão Frank-Walter Steinmeier, escreveu: “Estamos profundamente comovidos e partilhamos a dor da população de Istambul”.

E escreveu também o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Marc Ayrault, que disse estar “de todo o coração com a Turquia, terrivelmente golpeada nesta noite simbólica”.

O chefe da diplomacia italiana, Angelino Alfano, igualmente no Twitter, referiu que “a tragédia de Istambul faz lembrar que a luta contra o terrorismo não conhece pausas, nem festas, nem países ou continentes”. “É necessária unidade, a qualquer preço. A lágrimas não bastam. Devemos continuar a luta contra o terrorismo e combater juntos, para defender a nossa liberdade”, disse.

...E em comunicados oficiais

O Presidente dos EUA, Barack Obama, que está de férias no Hawai, foi dos primeiros a fazer uma declaração, neste caso através do porta-voz da Casa Branca, Eric Schultz, onde disse estar preparado para dar assistência à Turquia na luta contra o terrorismo.

Mais tarde, o Presidente francês, François Hollande, num comunicado divulgado pelo Eliseu, denuncia “fortemente e com indignação o ato terrorista” contra o clube Reina, que deixou feridos três franceses, e reafirmou o seu apoio à Turquia na luta contra o terrorismo.

Já chanceler alemã Angela Merkel enviou uma mensagem a Erdogan, na qual classificou o ataque como “desumano e traiçoeiro”.

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, foi outro dos chefes de Estado a enviar condolências, tendo confirmado a existência de uma cidadã israelita ferida e outra desaparecida.

“Por desgraça, a violência também atingiu esta noite de celebração e esperança. Com profunda dor, expresso a minha proximidade com o povo turco, rezo pelas numerosas vítimas e os feridos e por toda a nação em luto”, disse o Papa Francisco, no domingo de manhã.

“Peço ao senhor que apoie todos os homens de boa vontade que enfrentam a praga do terrorismo e essa mancha de sangue que envolve o mundo com uma sombra de medo e de perda”, acrescentou.

Governo português também se pronunciou

“O Governo português condena firmemente o atentado cometido ontem em Istambul. O Governo exprime a sua solidariedade com o povo e as autoridades turcas e reafirma o empenhamento de Portugal na luta contra o terrorismo em todas as suas formas”, lê-se no comunicado.

[NOTÍCIA ATUALIZADA ÀS 16H DE DOMINGO]