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Internacional

Um “triângulo amoroso macabro”: morte do embaixador grego no Brasil terá sido encomendada pela esposa

O corpo do embaixador, Kyriakos Amiridis, foi encontrado num carro carbonizado nesta quinta-feira

VANDERLEI ALMEIDA

Esposa do embaixador grego no Brasil, o seu amante e um familiar encontram-se detidos, acusados pelo homicídio de Kyriakos Amiridis. Polícia brasileira não tem dúvidas: “Foi tudo planeado”

Pelas 19h53 desta segunda-feira, Sérgio Gomes Moreira Filho e um parente entravam no condomínio onde mora a família do embaixador grego no Brasil, em Nova Iguaçu. Quase três horas depois, Sérgio saía de carro daquela zona e voltava a pé ao mesmo local. Já de madrugada, pelas 2h30 de terça-feira, estacionava de novo o carro perto do condomínio, tendo mexido no banco traseiro com a ajuda do seu familiar, identificado como Eduardo Moreira de Melo. E dois dias depois, nesta quinta-feira, esse mesmo carro era descoberto carbonizado, já longe do condomínio onde a família reside.

São os primeiros contornos de um caso macabro, revelados pelas câmaras de vigilância do condomínio e que vieram esclarecer algumas das circunstâncias que rodearam a morte de Kyriakos Amiridis, o embaixador da Grécia no Brasil, cujo corpo foi descoberto na quinta-feira no seu carro. Segundo as investigações da polícia local, os responsáveis pela morte serão a esposa do embaixador, a embaixatriz Françoise Amiridis, que terá planeado e encomendado o homicídio; o homem com quem mantinha uma relação em segredo, o polícia militar Sérgio Gomes Moreira Filho; e o familiar deste, que na imprensa brasileira é referido como tio e como sobrinho do agente. Os três encontram-se neste momento detidos.

Segundo o depoimento de Eduardo Moreira de Melo, a esposa do embaixador ter-lhe-á oferecido uma recompensa no valor de 80 mil reais (cerca de 23 mil euros) para ajudar no assassinato de Kyriakos Amiridis, relata o jornal "Globo". O homem terá então aceitado a oferta, tornando-se cúmplice de Sérgio Gomes Moreira Filho.

Homicídio premeditado ou legítima defesa?

O próprio agente da polícia militar já confessou o crime, tendo detalhado que na segunda-feira se deslocou à casa onde viviam Françoise, naquele momento ausente, e Kyriakos Amiridis para pedir satisfações, uma vez que o embaixador teria agredido a esposa dois dias antes. Esta tese sai reforçada do depoimento de Françoise, que descreveu à polícia o marido como alguém agressivo, violento e que estava frequentemente alcoolizado, relata a "Veja".

No entanto, se Sérgio descreve o que se seguiu como uma luta corporal em que acabou por alvejar o embaixador com a própria arma em legítima defesa, a polícia discorda desta versão, garantindo não ter dúvidas de que "foi tudo planeado". Tendo analisado já um sofá com manchas de sangue que se encontrava na residência, a polícia coloca a hipótese de que a arma do crime tenha sido uma faca, uma vez que não foram ouvidos disparos, e que Sérgio tenha depois enrolado o corpo do embaixador num lençol e colocado os restos mortais no carro a que depois pegou fogo com gasolina que já tinha comprado.

Se Françoise nega o envolvimento neste "macabro triângulo amoroso", como descreve a mesma publicação, também Sérgio garante que a amante, com quem diz ter dormido por várias vezes enquanto o próprio embaixador dormia na mesma casa, não esteve envolvida no homicídio. No entanto, a versão relatada pelo seu familiar conta uma história bem diferente.

Esta sexta-feira o presidente brasileiro, Michel Temer, enviou cartas de condolências ao primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, e ao presidente do país, Prokopis Pavlopoulos, lamentando a morte do diplomata. Já o ministério das Relações Externas lembrou em comunicado que o embaixador "servia no Brasil pela segunda vez" e que "à frente da embaixada grega em Brasília desde janeiro deste ano, vinha realizando intenso trabalho para o aprofundamento das relações entre os dois países".