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Rússia prepara-se para expulsar 35 diplomatas norte-americanos

JOHAN ORDONEZ/GETTY IMAGES

Esta é a reposta à decisão de Barack Obama de expulsar dos EUA 35 agentes dos serviços secretos russos

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergei Lavrov, recomendou ao Presidente Vladimir Puttin, que expulsasse 35 diplomatas norte-americanos do país, como resposta à decisão de Barack Obama em expulsar 35 agentes dos serviços secretos russos dos EUA.

O anúncio foi feito esta sexta-feira e segundo o The Guardian e a BBC ainda não houve uma confirmação de que Puttin teria aceite a proposta. Contudo, existe uma forte possibilidade, uma vez que ontem durante a noite o Kremlin avisou, em conferência de imprensa, que se estava a preparar para retaliar das medidas tomadas pelo ainda presidente dos EUA.

“Não sei que tipo de resposta vai ser, contudo, como sabemos, não há alternativa aqui a não ser o princípio da reciprocidade”, disse o porta-voz da presidência da República, Dmitry Peskov, citado pela Interfax, a agência de notícias russa, por sua vez citada pelo Washington Post. O responsável disse ainda que seria o próprio Puttin a decidir qual seria essa resposta.

A proposta de Lavrov passa por expulsar 31 diplomatas da embaixada da Rússia em Moscovo e mais quatro do consulado em São Petersburgo. Além disso, quer que os diplomatas norte-americanos sejam proibidos de usar uma casa de campo e o respectivo armazém pertencente à embaixada, avança o Wasington Post. Outra retaliação recíproca já que também Obama decidiu encerrar dois complexos, em Nova Iorque e em Maryland, que estariam a ser usados pelos serviços secretos russos.

A decisão é agora de Puttin que terá de ter em conta que a administração Obama está a três semanas de abandonar a Casa Branca e que será substituída pela nova equipa do presidente-eleito Donald Trump, com quem as relações com a Rússia são muito mais amigáveis.

Um elemento sénior da câmara alta do parlamento russo, Konstantin Kosachyov, sugeriu isso mesmo, ou seja, que Moscovo teria de pesar muito bem o tipo de resposta que ia ter, porque ela teria de ter em conta a reação do presidente eleito.

Segundo avança o Washington Post, que cita a Interfax, Kosachyov terá dito que estas sanções de Obama não representam a vontade do país mas sim "a agonia dos políticos da administração que está de saída".

Mas Peskov disse na mesma conferência de imprensa que as sanções mostram uma "impresível e agressiva política externa" da parte de Obama. “Medidas como estas, tomadas a três semanas de sair, têm apenas dois objetivos: prejudicar ainda mais as relações entre a Rússia e os EUA, que já estão a um nível muito baixo, e ainda dar um golpe nos planos da política externa da próxima administração".

Mas para o presidente do comité de relações internacionais da Duma, a câmara vbaixa do parlamento russo, Leonid Slutsky, estas sanções não vão ter o efeito que Obama queria.

“Nada disto vai mudar o resultado das eleições presidenciais e, em janeiro, o responsável legítimo da Casa Branca vai ser Donald Trump. Espero que com a sua chegada, o diálogo entre a Rússia e os EUA seja conduzido numa atmosfera polítoca mais saudável", disse.

A decisão de Obama surgiu depois da CIA e do FBI terem avançado que a Rússia ter tido acesso de forma ilegal a e-mails do partido democrático e, dessa forma, ter recolhido informações que permitiram interferir nas eleições nos Estados Unidos que deram a vitória a Trump, com quem a Rússia tem melhores relações.

Na altura, Trump, disse que essa possibilidade era um disparate e Putin descartou as acusações, dizendo, recentemente, que “talvez tenha sido alguém sentado no seu sofá que o fez".

E acrescentou ainda que o partido democrático, está "a perder em todas frentes e à procura de algo para culpar. Na minha opinião isto degrada a sua própria dignidade. Temos de saber como perder com dignidade", disse citado pel Washinton Post.