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Presidente Duterte diz que uma vez atirou suspeito de corrupção de um helicóptero

Dondi Tawatao / Getty Images

“Se forem corruptos vou apanhar-vos num helicóptero vindo de Manila e atirar-vos borda fora. Já fiz isto antes, porque é que não haveria de o fazer outra vez?”

O controverso Presidente das Filipinas ameaçou funcionários públicos corruptos com a possibilidade de os atirar de um helicóptero em andamento, garantindo que já o fez no passado — quando era procurador e empurrou um chinês suspeito de violação e homicídio para fora de um helicóptero em pleno voo. “Se forem corruptos vou apanhar-vos num helicóptero vindo de Manila e atirar-vos borda fora. Já fiz isto antes, porque é que não haveria de o fazer outra vez?”

A ameaça e aparente admissão criminosa foi feita na terça-feira durante um discurso de Rodrigo Duterte às famílias das vítimas de um tufão que, há alguns dias, atingiu partes do arquipélago que lidera desde junho. Há algumas semanas, o Presidente já tinha admitido que matou várias pessoas enquanto autarca de Davao durante 22 anos, dizendo inclusivamente que chegava a andar de mota pela cidade à procura de “encontros para matar”.

Duterte garante que esses homicídios integraram operações policiais legítimas, incluindo um incidente que envolvia reféns, e chegou a dizer que as seis pessoas detidas na semana passada durante buscas a um laboratório de produção de metanfetaminas na capital, em que a polícia apreendeu meia tonelada de droga, tiveram sorte por ele não estar na cidade.

“Eles tiveram sorte por eu não estar em Manila na altura. Se eu soubesse que havia tanto shabu [como as metanfetaminas são conhecidas no país] naquela casa, tê-los-ia matado de certeza. Não vale a pena fazer dramas, eu teria pessoalmente agarrado numa arma para os abater se mais ninguém o fizesse.”

Alguns senadores já disseram publicamente que o Presidente pode vir a ser destituído por causa das ameaças e admissões de culpa. O enviado da ONU para os Direitos Humanos exigiu uma investigação às alegações de Duterte, que na semana passada levaram o Presidente a insultar o funcionário da organização, chamando-o “estúpido”, “idiota” e “filho da puta” e afirmando que devia voltar para a escola. Há uma semana, a Comissão de Direitos Humanos das Filipinas anunciou a abertura de uma investigação ao caso.

Para já não é certo se Duterte realmente atirou um suspeito borda fora de um helicóptero como se gabou de fazer. O porta-voz do Presidente, Ernesto Abella, diz que isso pode nunca ter acontecido. “Vamos dizer assim: lenda urbana”, disse aos jornalistas sem mais pormenores. O gabinete presidencial não tem tido mãos a medir desde que Duterte tomou posse, a tentar reverter declarações do líder e a deitar água na fervura das relações diplomáticas com outros países sempre que o Presidente insultou líderes mundiais — entre eles Barack Obama e o Papa Francisco.

Desde que tomou posse a 1 de julho, Duterte tem vindo a liderar uma campanha de combate às drogas que inclui execuções extrajudiciais de suspeitos de tráfico e consumo de droga, incitando até civis a pegarem em armas para matarem traficantes e toxicodependentes. Entre julho e o final de setembro, essa campanha já tinha provocado pelo menos 3600 mortos.