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Internacional

Obama prepara-se para anunciar sanções à Rússia por ingerência nas eleições

BRENDAN SMIALOWSKI

Dois senadores republicanos e uma democrata dizem que há uma maioria estrondosa de legisladores a apoiar a aprovação de sanções a Moscovo e em particular ao Presidente Vladimir Putin, perante "provas" recolhidas pela CIA de que "elementos próximos" do Governo russo estiveram por trás dos ciberataques ao Partido Democrata durante a campanha presidencial, para influenciar o resultado a favor de Donald Trump

A administração Obama está a ultimar um pacote de medidas para sancionar a Rússia pela sua alegada interferência nas eleições presidenciais norte-americanas, incluindo sanções económicas e censura diplomática, garantem fontes próximas do Presidente em fim de mandato ao "Washington Post". As mesmas fontes dizem que as medidas podem ser anunciadas já esta semana, a menos de um mês de Barack Obama ser substituído por Donald Trump na Casa Branca.

Ontem, três proeminentes senadores norte-americanos, dois deles republicanos, expressaram publicamente o seu apoio às sanções durante uma visita oficial à Estónia, Letónia e Lituânia, três países do Báltico que são membros da NATO e que estão próximos da fronteira com a Rússia.

"Diria que 99 de nós [senadores dos EUA, de um total de 100] acreditam que os russos fizeram isto e que alguma coisa vai ser feita quanto a isso", disse o republicano Lindsey Graham à CNN. Antes disso, em declarações aos jornalistas que cobriam a visita oficial, o senador já tinha declarado que "a Rússia está a tentar quebrar a espinha das democracias de todo o mundo. É altura de a Rússia perceber que já chega." Graham, a par do republicano John McCain e da democrata Amy Klobuchar, defendem que as sanções devem ter como alvo não apenas empresas e figuras de topo da Rússia como o próprio Presidente Putin.

Os rumores de sanções a serem anunciadas em breve, possivelmente esta quinta-feira, surgem nem um mês depois de a CIA ter dito que reuniu "provas" de que "elementos próximos" de Putin foram responsáveis pelos ciberataques ao Partido Democrata durante a campanha presidencial deste ano para "favorecerem um candidato [Trump] em detrimento do outro [Hillary Clinton]".

Ontem, em comunicado, a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo voltou a rejeitar as alegações, deixando uma ameaça no ar caso sejam aprovadas sanções a Moscovo. "Se Washington quer dar mais passos hostis, eles terão resposta", declarou Maria Zakharova. "Qualquer ação contra as missões diplomáticas da Rússia nos Estados Unidos vão imediatamente virar-se contra os diplomatas dos EUA na Rússia."

Há duas semanas, a equipa de transição de Trump já tinha respondido às acusações, classificando-as de "ridículas" e atribuindo-as "às mesmas pessoas que disseram que Saddam Hussein tinha armas de destruição em massa". Recorde-se que foi a administração republicana de George W. Bush e não o Governo democrata de Obama quem teceu essa acusação infundada para justificar a invasão do Iraque emm 2003.