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Erdogan acusa coligação liderada pelos EUA de apoiar o Daesh

GETTY

Presidente turco diz ter "fotos e vídeos" que sustentam acusação. Administração Obama diz que alegações são "ridículas"

O Departamento de Estado norte-americano já reagiu à acusação feita pelo Presidente da Turquia na terça-feira, quando disse ter "provas" de que os Estados Unidos e a coligação liderada pelo país para destronar o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) no Iraque e na Síria estão, na realidade, a apoiar o grupo radical. Em declarações aos jornalistas ontem à noite, o porta-voz do Departamento, Mark Toner, disse que as acusações tecidas por Recep Tayyip Erdogan são "ridículas" e infundadas".

Numa conferência de imprensa em Ancara ontem à tarde, o líder turco disse que há "imagens, fotos e vídeos" que sustentam a versão de que as forças norte-americanas e seus aliados têm prestado apoio não só a grupo rebeldes da oposição a Bashar al-Assad na Síria e a forças curdas como também o grupo extremista que, em junho de 2014, anunciou a instalação de um califado islâmico na Síria e no Iraque.

"Eles estavam a acusar-nos de apoiar o Daesh e agora estão a apoiar grupos terroristas incluindo o Daesh, as YPG [Unidades de Proteção Popular curdas] e o PYD [Partido de União Democrática curdo, filiado ao PKK turco]. É muito claro. Recebemos provas confirmadas, imagens, fotos e vídeos."

Na mesma conferência de imprensa, Erdogan convidou a Arábia Saudita e o Qatar a participarem no encontro que a Rússia está a organizar no Cazaquistão para o mês que vem, para discutir uma solução para a Síria, numa reunião que inclui ainda o Irão. As autoridades russas, turcas e iranianas foram responsáveis pelo cessar-fogo implementado em Alepo há um mês que permitiu a retirada em segurança de civis e opositores armados a Assad quando as forças leais ao Presidente sírio estavam prestes a recapturar a cidade estratégica.

A Turquia, a Arábia Saudita e o Qatar, a par dos EUA e seus aliados, têm estado a apoiar os rebeldes anti-Assad que desde março de 2011 tentam derrubar o Presidente sírio. Moscovo e Teerão são os dois grandes aliados do Presidente da Síria e foi o seu apoio na ofensiva por Alepo, em particular a campanha aérea das forças russas, que permitiu a reconquista da cidade concluída na semana passada.

Ontem, o grupo que agrega várias fações da oposição armada e política da Síria pediu aos rebeldes que cooperem "com os esforços regionais sinceros" para alcançar um cessar-fogo prolongado que permita enterrar a guerra, prestes a entrar no sétimo ano consecutivo e que já provocou pelo menos meio milhão de mortos e milhões de refugiados e deslocados internos.

Contudo, Riad Hijab, coordenador geral do Comité de Altas Negociações (HNC, na sigla inglesa), disse também ontem que o grupo não foi convidado para participar na conferência que a Rússia, a Turquia e o Irão estão a organizar no Cazaquistão. Para Hijab, as conversações para uma verdadeira transição política na Síria devem ser patrocinadas pela ONU e decorrer em Genebra como os vários outros encontros que ali tiveram lugar nos últimos cinco anos e meio, ao invés de estarem a cargo de Moscovo e de Teerão.