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Shinzo Abe no Hawai para primeira visita de um líder japonês a Pearl Harbor

STR

Ontem, o primeiro-ministro nipónico prestou homenagem às vítimas do ataque à base naval norte-americana em 1941. Hoje estará ao lado de Barack Obama a rezar pelos mortos mas não vai pedir desculpa

O chefe do Executivo nipónico visitou esta segunda-feira de manhã vários memoriais no Hawai antes do encontro com Barack Obama em Pearl Harbor, a base naval norte-americana cujo ataque pelas forças japonesas em 1941 empurrou os Estados Unidos para a II Guerra Mundial.

Shinzo Abe e o Presidente Barack Obama estarão juntos a rezar pelos que perderam a vida no ataque, naquela que é a primeira visita oficial de um líder nipónico à base naval desde o ataque que provocou a morte de 2300 soldados norte-americanos. Abe vai rezar pelos mortos mas não vai pedir desculpas em nome do país, garante a sua equipa.

Depois de ter aterrado no Hawai, o primeiro-ministro japonês visitou o Cemitério Memorial Nacional do Pacífico, onde depositou uma coroa de flores em honra das vítimas e cumpriu um minuto de silêncio ao lado do diretor daquela instituição em Honolulu. O encontro aconteceu antes de rezar ao lado de Obama pelos mortos no local preciso do ataque depois de um encontro privado, o último dos dois líderes antes de o Presidente dos EUA passar o testemunho a Donald Trump em janeiro.

A histórica visita de Abe acontece três semanas depois do aniversário do ataque de há 65 anos e oito meses depois de Obama se ter tornado no primeiro Presidente dos EUA em funções a visitar Hiroshima, uma das duas cidades que as forças norte-americanas atacaram um bombas nucleares nos últimos meses da II Guerra Mundial. Cerca de 150 mil pessoas terão perdido a vida nesse ataque, ao qual se seguiu um outro contra a cidade de Nagasaki.

"A visita [de Abe] a Pearl Harbor tem estado a ser planeada desde que Obama visitou Hiroshima", explicava no início do mês Gerry Curtis, professor emérito da Universidade de Columbia. "É acima de tudo um gesto recíproco e simbólico para provar que os EUA e o Japão enterraram o machado de guerra. Envia uma mensagem à China sobre a força da relação EUA-Japão e provavelmente também pretende enviar a mesma mensagem a Trump."

Em 1951, o então primeiro-ministro nipónico Shigeru Yoshida já tinha feito paragens no Hawai a caminho e no regresso de São Francisco, onde assinou um tratado de paz com os EUA. Nesse ano, Yoshida encontrou-se com o comandante da frota americana no Pacífico, o almirante Arthur Radford, mas não visitou o local do ataque às forças norte-americanas. "Quase pude avistar os destroços do Arizona" pela janela, esvreveria Radford nas suas memórias, referindo-se a um dos navios de guerra afundados em 1941.