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Expresso

Internacional

Recuperada uma das caixas negras do avião militar russo que se despenhou no Natal

Homenagem às vítimas do acidente

VASILY MAXIMOV

Caixa que regista informações como a velocidade, a altitude e a trajetória do voo foi retirada do Mar Negro esta terça-feira de manhã

As autoridades russas recuperaram esta terça-feira de manhã uma das duas "caixas negras" do avião Tu-154 que caiu com 92 pessoas a bordo no Mar Negro no dia de Natal, em rota da estância balnear de Sochi para a Síria. A caixa recuperada é o Flight Data Recorder, que regista informações como a velocidade, a trajetória e a altitude do voo à data do incidente. Por encontrar continua a segunda caixa negra, o Cockpit Voice Recorder, que grava as conversas no cockpit.

O avião do Exército russo desapareceu dos radares no passado domingo de manhã, dois minutos e 44 segundos depois de descolar do aeroporto de Sochi, transportando a bordo 64 membros da famosa banda de música militar russa, o Alexandrov Ensemble, nove jornalistas, oito soldados, dois funcionários do Ministério da Defesa e oito tripulantes.

O Tu-154, cujos primeiros destroços foram encontrados na seguda-feira ao largo de Sochi, tinha como destino a cidade síria de Latakia, onde a banda ia atuar na passagem de ano para as forças russas estacionadas na Síria, que têm estado a combater ao lado das forças leais ao Presidente Bashar al-Assad. O avião tinha originalmente partido de Moscovo e feito uma paragem em Sochi para reabastecer de combustível. Entre os passageiros contava-se Yelizaveta Glinka, diretora-executiva da organização de caridade Fair Aid.

Antes de a primeira caixa negra ser recuperada, o ministro russo dos Transportes, Maxim Sokolov, já tinha excluído a possibilidade de o avião ter sido alvo de um atentado terrorista, reiterando que os investigadores estão a tentar perceber se a queda do voo foi provocada por um erro dos pilotos ou por falhas técnicas.

Ontem, fonte próxima da investigação disse à agência russa Interfax que o Tu-154, um modelo que deixou de ser usado na aviação comercial desde 2009 mas que continua a ser usado pelo Exército e que, neste caso, estava ao serviço das forças armadas desde 1983, poderia estar a voar com demasiada carga a bordo. "Testemunhos e outros dados objetivos recolhidos durante a investigação sugerem que o avião não conseguiu ganhar altitude e que por alguma razão, possivelmente por causa de peso a mais ou falha técnica, caiu ao mar", disse a fonte sob anonimato.

Uma gravação áudio obtida pelos media russos e identificada como sendo a última conversa entre controladores aéreos antes de o avião desaparecer dos radares não mostra qualquer sinal de dificuldades — as vozes continuam calmas até o aparelho desaparecer e os controladores tentarem, em vão, restabelecer o contacto com o cockpit.